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Vento forte leva empresário a investir em alto-mar; governo precisa agir

Brasil avança com o Marco Legal da eólica offshore, mas falta regulamentação infralegal; potencial técnico supera 1,2 mil GW e projetos enfrentam entraves regulatórios

China tem a maior potência instalada de eólicas offshore. (Foto: Unsplash)
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  • Relatório Global Wind Report 2026 aponta que, em 2025, foram conectados 9,2 gigawatts de turbinas eólicas offshore no mundo, elevando a capacidade total para 92,3 gigawatts.
  • No Brasil, o marco regulatório para eólica offshore não avança rápido: a lei já está em vigor, mas falta regulamentação infralegal para definir áreas, licitação, qualificação técnica e integração com o planejamento energético.
  • Há interesse de mercado: 59 empreendimentos foram protocolados no Ibama para licenciamento ambiental, somando 135 gigawatts de potência, distribuídos entre Nordeste (62 GW), Sudeste (19 GW) e Sul (53 GW).
  • Em abril, o CNPE aprovou diretrizes para a regulamentação da lei, incluindo critérios de distância da costa e a criação do Portal Único de Gestão de Áreas Offshore (PUG Offshore); o MME deve apresentar diagnóstico e plano de ação ainda este mês.
  • Estudo aponta perfil de potencial técnico da eólica offshore no Brasil em até 1,2 mil gigawatts, com 480 GW em fundação fixa (até 70 metros de profundidade) e 750 GW em floating; a energia eólica offshore já representa 92,5 gigawatts globalmente, com China respondendo por mais da metade.

O relatório Global Wind Report 2026 mostra avanço rápido da energia eólica offshore em todo o mundo. Em 2025, foram conectados 9,2 GW de turbinas no mar, elevando a capacidade global para 92,3 GW. O país com maior potência instalada continua sendo a China.

No Brasil, as condições de vento na costa são promissoras, mas a regulamentação ainda não está totalmente em vigor para viabilizar projetos offshore. A expectativa é de que o marco legal, já vigente desde 2025, ganhe regulamentação infralegal ainda neste ano para orientar áreas, licitações e integração com o planejamento energético.

A ABEEólica aponta que 59 empreendimentos já buscam licenciamento ambiental no Ibama, totalizando 135 GW de potência distribuídos entre Nordeste (62 GW), Sudeste (19 GW) e Sul (53 GW). Esse volume é quase quatro vezes a capacidade instalada de eólica em terra no país hoje.

Avanços regulatórios e diretrizes

O CNPE aprovou diretrizes para regulamentação da lei, incluindo critérios de distância da costa. A resolução também prevê um Portal Único de Gestão de Áreas Offshore (PUG Offshore) para a gestão das áreas. O Ministério de Minas e Energia (MME) espera um diagnóstico e plano de ação ainda neste mês.

O potencial técnico estimado fica acima de 1,2 mil GW, com 480 GW em fundação fixa (profundidades até 70 m) e 750 GW em flutuante. A expansão offshore brasileira dependerá da sincronização entre reguladores, portos e cadeia produtiva.

Contexto internacional e lições

Globalmente, a potência offshore representa 92,5 GW, com a China respondendo por mais de metade. China, Reino Unido, Alemanha, Holanda e Taiwan lideram o setor. Experiências internacionais destacam a importância de desenvolvimento coordenado com portos e cadeias produtivas para revitalizar regiões industriais e logísticas.

Marcello Cabral, da ABEEólica, ressalta que o Brasil tem ventos fortes e costa extensa, combinados a experiência adquirida na eólica onshore. A aposta em offshore é vista como oportunidade de ampliar a participação da energia eólica na matriz, hoje com 35,9 GW onshore.

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