- Cerâmica tem ganhado espaço em museus, galerias e feiras de arte nas grandes cidades dos EUA, com peças que vão de formas clássicas a esculturas figurativas e abstratas.
- Vendas e preços já mostram demanda: artistas como Kathy Butterly, Nicole Cherubini e Ruby Neri tiveram obras vendidas ou próximas de esgotar, com preços variando de milhares até cerca de 75 mil dólares.
- Eventos e feiras dedicados à cerâmica cresceram: NADA Ceramics realizou uma edição em Tribeca, com mais de quarenta expositores; Frieze Los Angeles apresentou várias galerias com obras em cerâmica; Expo Chicago também contou com peças em destaque.
- O mercado também avança fora das feiras: museus e instituições — como Princeton University Art Museum, RISD Museum e Tang Teaching Museum — ampliam mostras de cerâmica contemporânea, incluindo nomes como Toshiko Takaezu e Magdalena Suarez Frimkess.
- Mesmo com crescimento recente, especialistas apontam que o preço de cerâmicas ainda é modesto frente a pinturas e esculturas de outros meios, apesar de o interesse ter aumentado nos últimos anos.
Cerâmica ganha espaço em museus, galerias e feiras de arte nos EUA, com obras que vão de formatos tradicionais a esculturas figurativas e abstratas. O movimento acompanha uma visibilidade crescente do material no meio artístico contemporâneo.
Em Nova York, peças de Kathy Butterly esgotaram na James Cohan, com valores em torno de US$ 45 mil. Nicole Cherubini teve mostra na Friedman Benda com público próximo do esgotamento, até US$ 65 mil. Ruby Neri apresentou trabalhos na Salon 94, com picos de preço em US$ 75 mil. Theaster Gates destacou David Drake, ceramista escravizado da Carolina do Sul, na mostra da Gagosian.
No Lagos, Califórnia, várias galarias apresentaram cerâmica na Frieze Los Angeles. Bosco Sodi foi vendido pela Olney Gleason por cerca de US$ 72 mil; Sharif Farrag teve solo booth na Jeffrey Deitch com peças entre US$ 14 mil e US$ 35 mil; Doyle Lane apareceu na vitrine da David Kordansky com vasos esmaltados, enquanto a Kordansky apresentou Elisabeth Murray e Betty Woodman, cujas peças de cerâmica alcançaram até US$ 190 mil.
A feira NADA Ceramics, em Tribeca, reuniu mais de 40 expositores entre galarias, estúdios e artistas, de 6 a 8 de março, ampliando a presença da cerâmica no circuito de feiras nos EUA. Em outros eventos, peças de Francis Upritchard, desenvolvidas com Nicholas Brandon, foram vendidas entre US$ 10 mil e US$ 16 mil, na Los Angeles Post-Fair. Galerias de Los Angeles e Nova York também exibiram trabalhos de Peter Schlesinger e George Sherman com preços variando.
Além das feiras, instituições do Leste oferecem mostras em andamento. O Princeton University Art Museum reaberto dedica um espaço a Toshiko Takaezu (até 5 de julho). O RISD Museum, em Providence, exibe a mostra A Shared Journey: The Barkan Contemporary Ceramic Collection (até 2028). Butterly aparece ainda no Tang Teaching Museum, em Saratoga Springs, até 26 de julho.
“Muita gente encara a cerâmica como obra de arte”, afirma Jeanne Greenberg Rohatyn, fundadora da Salon 94, em entrevista. O colecionador David Rago recorda que o ofício já foi visto como artesanato e, hoje, disputa espaço em grandes vitrines. A discussão sobre o valor no mercado permanece em aberto, com preços variando amplamente entre artistas emergentes e nomes consagrados.
Mercado em ascensão, mas até valores máximos seguem moderados
Dados da ARTDAI indicam crescimento expressivo no segmento de cerâmica no leilão nos últimos anos. Em 2016, 695 lotes totalizaram cerca de US$ 30 milhões; em 2025, foram mais de 6.200 lotes, com vendas acima de US$ 62,5 milhões. Em comparação, obras de Picasso, Fontana, Miró e Noguchi registram altos históricos, mas ainda inferiores aos de pinturas ou esculturas de outros meios.
Pesos-pesos da cerâmica moderna, como Antã Nagle e Kathy Butterly, aparecem com recordes menores no mercado de leilões. O valor de algumas peças ainda fica abaixo do esperado para a obra de artistas com atuação de décadas. O registro aponta que o preço de referência em peças cerâmicas tende a ser menor para trabalhos de menor escala.
De acordo com especialistas, o tamanho das peças pode influenciar o interesse de compradores, com o empuxo para formatos menores favorecendo o mercado de cerâmica. Christie’s e outras casas costumam oferecer itens entre US$ 5 mil e US$ 10 mil, mantendo a faixa de negociação similar ao mercado primário.
Para analistas, a cerâmica vive uma consolidação: há valorização gradual, ainda sem uniformidade de crescimento entre artistas. O mercado tende a manter expectativa de continuidade, com futuros leilões apontando para novas avaliações sem rupturas abruptas.
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