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Itaú vê economia mais desafiadora e aposta em clientes-alvo como fortaleza

Itaú mantém foco em clientes-alvo resilientes para sustentar crédito e lucro estável no 1º tri de 2026, mesmo com cenário macro mais desafiador

Milton Maluhy Filho, CEO do banco, reforçou que a rentabilidade do trimestre se manteve nas máximas e que não projeta redução no apetite para o crescimento nos próximos meses. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)
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  • Itaú teve lucro de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 0,3% ante o trimestre anterior, por efeito sazonal e distribuição antecipada de dividendos.
  • O CEO Milton Maluhy Filho afirma que a estratégia de crédito mira em clientes-alvo resilientes, representando mais de oitenta por cento da carteira atual e quase cem por cento nas novas concessões.
  • As projeções para 2026 foram mantidas: crescimento da carteira de crédito total entre cinco víeis e nove víeis por cento; custo do crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões.
  • O Itaú aponta menor inadimplência entre os clientes-alvo em comparação com o mercado, com resultados melhores em crédito pessoal, cartão, veículos e consignado privado.
  • O banco pretende avançar em modelagem e inteligência artificial para hiperpersonalizar limites, mantendo posição sólida no crédito agrícola (cerca de vinte por cento de participação de mercado) e destacando desempenho do consignado privado (+63% no ano).

O Itaú Unibanco sinalizou um cenário macro mais desafiador e manteve o foco em clientes-alvo como pilar de sua estratégia de crédito. A gestão ressalta a resiliência desse grupo ao longo de diferentes ciclos econômicos.

No primeiro trimestre de 2026, o banco apresentou lucro de 12,3 bilhões de reais, queda de 0,3% em relação ao período anterior. O resultado ficou pressionado por sazonalidade e pela distribuição antecipada de dividendos.

Milton Maluhy Filho, CEO, afirmou que a rentabilidade ficou em patamar elevado e confirmou que não espera reduzir o apetite por crescimento nos meses seguintes, mesmo com o avanço da inadimplência no Brasil e juros altos.

Foco estratégico e produção de crédito

A instituição mantém inalteradas as projeções para 2026, prevendo crescimento da carteira de crédito entre 5,5% e 9,5% e custo do crédito entre 38,5 bilhões e 43,5 bilhões de reais.

A estratégia de originação privilegia clientes classificados como resilientes, não apenas pela renda, mas por testes de comportamento em cenários de estresse.

Mais de 80% da carteira de crédito está hoje alinhada a esse grupo, chegando a quase 100% nas novas concessões. O Itaú afirma que esse segmento possui menor probabilidade de inadimplência.

Em estudo interno, a instituição comparamos endividamento entre famílias e o recorte de clientes-alvo. Em janeiro de 2026, o endividamento total dos lares subiu para 123, enquanto o dos clientes-alvo ficou em 105, ambos abaixo da média do setor para toda a carteira (106).

Desempenho por segmento e crédito agrícola

A inadimplência de longo prazo também é menor entre os clientes-alvo. No crédito pessoal, 5,1% ante 9,3% no mercado; no cartão de crédito, 5,1% contra 10,2%; em veículos, 3,5% frente a 6,2%; e no consignado privado, 4,2% frente a 7,1%.

“Focamos em clientes-alvo e evitamos públicos menos resilientes ao longo dos ciclos”, afirmou Maluhy. O executivo também destacou avanços em modelagem e inteligência artificial para personalizar limites de crédito e melhorar a performance.

No crédito agrícola, o Itaú mantém posição estável e com menor exposição a recuperações judiciais. A participação de mercado é de cerca de 20% no agronegócio, representando apenas 4% das recuperações judiciais do setor. A carteira rural tem alta de alienação fiduciária em 78%.

A carteira de crédito total fechou o trimestre em 1,483 trilhão de reais, com crescimento de 1,2% no período, excluindo variação cambial, e alta de 9% em 12 meses. Programas governamentais para PMEs cresceram 52% no período, enquanto o consignado privado avançou 63% no ano.

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