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Óleo de soja pode virar principal matéria-prima no Brasil, aponta Argus

Argus: óleo de soja deve dominar o Brasil em 2026, com cerca de 74% de participação, impulsionado pela demanda de biocombustíveis

A associação considera um intervalo no volume exportado entre 14,9 milhões e 16,6 milhões de toneladas de soja, a depender do ritmo dos portos.
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  • A Argus prevê que o óleo de soja seja a principal matéria-prima no Brasil em 2026, com participação de cerca de 74% no mercado.
  • O impulso vem da demanda global por biocombustíveis e da necessidade doméstica de soja, que deve elevar o esmagamento e valorização dos derivados.
  • A alta é estimada em relação a 2025, passando de 70% para o óleo de soja, apoiada por óleo brasileiro mais competitivo e por mandatos regulatórios de biocombustíveis.
  • A guerra Rússia–Ucrânia elevou os preços do óleo de soja para mais de R$ 6 mil a tonelada, fortalecendo a dependência do biodiesel nesse insumo.
  • Nos EUA, o consumo interno de óleos tende a sustentar a demanda, com canola ganhando espaço diante de mudanças regulatórias, enquanto o desalinhamento entre preço do grão, farelo e óleo afeta margens da indústria.

O óleo de soja deve dominar a cadeia do complexo soja no Brasil em 2026, aponta a Argus. A previsão foi feita durante um workshop sobre soja em São Paulo, nesta quarta-feira (6). O estudo indica participação de 74% do óleo no mercado da oleaginosa no próximo ano.

A previsão cita o crescimento da demanda por biocombustíveis e o uso doméstico, que devem ampliar a soja esmagada. A Argus avalia que o esmagamento vai aumentar para atender ao biodiesel feito com grão, elevando a valorização dos derivados.

A tendência de alta decorre da competitividade do óleo brasileiro frente a outros mercados e de mudanças regulatórias que priorizam o uso do óleo em misturas. A consultoria aponta incremento de 4 pontos percentuais na fatia do óleo de soja entre 2025 e 2026.

Precificação e margens

A Argus destaca que o preço do óleo é fortemente influenciado pela demanda global de biodiesel. A guerra entre Rússia e Ucrânia acelerou a valorização do insumo, com o preço chegando a superar R$ 6 mil a tonelada. O cenário afeta também o preço do grão.

Segundo Nathalia Gianetti, analista da Argus, o conflito geopolítico amplia a necessidade de ajuste nas negociações da cadeia de soja para abastecimento interno e exportação. Isso exige planejamento mais robusto de compras e vendas.

O desalinhamento entre o movimento de preços do grão, do farelo e do óleo desde o início deste ano pressiona margens da indústria. A Argus ressalta que quem assuma o custo maior do grão pode variar conforme a demanda por farelo e óleo.

Fatores que influenciam o mercado

Entre os fundamentos, além da guerra, entram os mandatos regulatórios de biocombustíveis, que podem mudar a direção da demanda. Indonésia e Malásia, por exemplo, elevam a pressão pelo óleo de palma, influenciando o equilíbrio geral de mercados de óleos vegetais.

Nos Estados Unidos, o consumo doméstico de óleos tem ganhado importância por causa das altas misturas de biocombustíveis. A canola surge como competidora em alguns pools, devido a mudanças regulatórias que afetam o biodiesel e a soja.

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