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Presenteísmo: entender riscos de trabalhar doente e impactos na saúde

Presenteísmo: trabalhar doente eleva risco à saúde, reduz produtividade e aumenta custos para empresas e economia

A cultura de “trabalhar doente”, conhecida como presenteísmo, tornou-se um fenômeno comum em diferentes setores da economia – depositphotos.com / AndrewLozovyi
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  • O presenteísmo é a prática de trabalhar doente e é observado em escritórios, fábricas, comércio e serviços, impulsionado por medo de demissão, metas agressivas e falta de suporte.
  • Em muitos casos a pessoa está presente, mas com concentração reduzida, dor ou ansiedade, o que prejudica a saúde a longo prazo e o desempenho.
  • Os riscos incluem agravamento de doenças, queda de produtividade, mais erros e retrabalho, além de afastamentos futuros e risco de burnout.
  • Para as empresas, o presenteísmo acarreta custos indiretos, atraso na entrega de tarefas, menor qualidade e maior rotatividade, impactando a competitividade e a economia.
  • A solução passa por legislação que protege a saúde do trabalhador e por gestão de saúde no ambiente de trabalho: campanhas, acolhimento de atestados, retorno ao trabalho, treinamento de lideranças e flexibilidade quando possível.

O presenteísmo, prática de trabalhar mesmo estando doente, ganhou adesão em diversos setores da economia. Profissionais continuam a jornada sem condições ideais, por medo de perder o emprego, pressão por metas ou falta de apoio das empresas. O tema afeta escritórios, fábricas, comércio e serviços.

Muitos trabalhadores permanecem no posto com concentração reduzida, dor ou ansiedade. À primeira vista pode parecer comprometimento, mas, na prática, é um alerta de saúde. A rotina sem descanso adequado atrasa diagnóstico e recuperação, prejudicando a organização e a economia.

O presenteísmo está ligado a fatores como metas agressivas, insegurança financeira e cultura que valoriza disponibilidade. Em casos de sofrimento mental, a prática é ainda mais comum, dificultando o reconhecimento de motivos legítimos para afastamento.

O que é e por que acontece

O presenteísmo ocorre quando o empregado permanece atuando após adoecer, em vez de se afastar para se recuperar. Ao contrário do absenteísmo, não aparece nos registros, mas reduz o desempenho diário. Faltar é visto como fraqueza em alguns ambientes.

Entre as razões estão o medo de demissão, a pressão por resultados, a insegurança financeira e a cultura organizacional que celebra longas jornadas. Falta de informação sobre direitos trabalhistas e acesso a atestados agrava o cenário.

Casos de ansiedade, depressão e outras condições mentais dificultam ainda mais o reconhecimento da legitimidade da ausência. A vulnerabilidade emocional é mais comum do que se imagina e exige atenção no ambiente de trabalho.

Riscos para a saúde do trabalhador

Trabalhar adoecido aumenta o risco de agravamento de doenças. Gripes podem evoluir, dores musculares se tornam lesões crônicas e transtornos mentais ganham intensidade. A falta de repouso e o atraso no atendimento dificultam a recuperação.

A produtividade também cai. O trabalhador presente, porém debilitado, tem dificuldade de manter foco, lembrar tarefas e tomar decisões, elevando erros e retrabalho. A sobrecarga pode levar a afastamentos mais longos no futuro.

Impactos para empresas e economia

Para as organizações, o presenteísmo gera custos indiretos significativos. Produção reduzida, atrasos e maior necessidade de recursos para cumprir prazos. Os impactos aparecem como erros operacionais, perda de eficiência e risco aumentado de acidentes.

Na economia, a soma de efeitos resulta em menor produtividade, maior gasto com saúde pública e previdência, além de queda na renda de famílias com afastamentos prolongados. Estudos apontam que perdas por presenteísmo podem superar as do absenteísmo.

Como enfrentar o presenteísmo

A cultura de não parar nunca favorece o comportamento. A falta de políticas de saúde e de canais claros para atestados dificultam o acesso a cuidados, especialmente em empregos informais ou com baixa estabilidade.

Boas práticas de gestão ajudam a reduzir o presenteísmo. Campanhas de conscientização, acompanhamento de saúde, retorno ao trabalho gradual e suporte a saúde mental são medidas eficazes. Metas realistas e diálogo aberto com lideranças fortalecem o cuidado com a saúde.

A legislação brasileira garante direitos básicos de saúde, como repouso semanal, férias e afastamento com atestado médico. Contudo, a aplicação prática depende de políticas internas e cultura organizacional, que devem valorizar a saúde como condição para a continuidade do trabalho.

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