- O Brasil é visto como um dos mais bem posicionados para liderar o mercado global de créditos de carbono, com potencial superior a US$ 1,1 trilhão por ano até 2050.
- A demanda por créditos de remoção de carbono cresce com metas de neutralidade climática, fortalecendo mercados voluntário e regulado, sendo o segundo mais estável por envolver obrigações de Estado.
- A maior oportunidade para o Brasil está no mercado regulado, que envolve a autorização de venda de ITMOs (Internationally Transferred Mitigation Outcomes), créditos sob o Acordo de Paris.
- A projeção indica demanda de cerca de 700 milhões de ITMOs até 2030, gerando dezenas de bilhões de dólares, com interesse de países como Singapura, Japão e Suíça, além da aviação via CORSIA.
- O governo já avançou com BNDES, Fundo Clima e Profloresta+, mas depende de uma decisão regulatória para conectar o Brasil ao mercado internacional sem comprometer a meta climática (NDC).
O Brasil tem potencial para liderar o mercado global de remoção de carbono por meio de créditos de ITMOs, segundo especialistas. O tema ganha importância à medida que governos e empresas consolidam metas de neutralidade climática e buscam créditos de remoção certificados.
A discussão gira em torno de permitir a exportação de ITMOs, unidades que representam uma tonelada de carbono removido. A venda envolve ajustar a contabilidade para evitar a dupla contagem entre países. A decisão regulatória é vista como peça-chave para conectar o potencial doméstico à demanda internacional.
O país já construiu bases públicas para o mercado. O BNDES facilita financiamento para reflorestamento, o Fundo Clima apoia restauração com custos menores e o Profloresta+ incentiva empresas a adquirir créditos florestais de alta integridade.
Além disso, o Brasil aparece como posição privilegiada para suprir a demanda de mercados regulados, onde governos possuem obrigações formais. Entre os credores externos, Singapura, Japão e Suíça já sinalizam interesse em comprar ITMOs brasileiros.
A estimativa de demanda até 2030 aponta para cerca de 700 milhões de ITMOs, com potencial financeiro na casa de dezenas de bilhões de dólares. A ampliação de crédito depende de regras claras e de garantias de integridade ambiental.
Partida estratégica para o Brasil
Especialistas defendem autorizar exportação de ITMOs de forma calibrada, unindo desenvolvimento econômico a metas climáticas. A ideia é manter a trajetória de redução do desmatamento e cumprir a NDC sem comprometer compromissos futuros.
O setor de aviação também entra na conta, com a iniciativa CORSIA exigindo créditos na próxima década. Esse cenário fortalece a necessidade de um marco regulatório estável e previsível para o mercado internacional.
Os próximos passos envolvem alinhamento entre governos, reguladores e setor privado. A intenção é criar condições para que o Brasil concilie avanço econômico com responsabilidade ambiental, mantendo a credibilidade climática construída ao longo dos anos.
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