- O preço do combustível de aviação subiu bastante na Europa desde o início do conflito no Oriente Médio, chegando a US$ 1.838 por tonelada em abril, cerca de 120% acima do valor de fevereiro, e ainda acima de US$ 1.500.
- O estreito de Ormuz, bloqueado há semanas, interrompeu o fluxo de abastecimento e pressionou os custos, já que a Europa depende de importações para boa parte do combustível.
- A capacidade de refino reduzida na região aumentou a vulnerabilidade da oferta, com quedas de refinarias na Europa e no Reino Unido, que hoje importa cerca de 65% do seu consumo.
- Companhias aéreas anunciaram redução de voos para o verão e aumentos de tarifas; por exemplo, voos de Londres para Melbourne estão cerca de 76% mais caros que no ano anterior.
- Medidas em avaliação incluem flexibilizações de horários de voos, importação de Jet A, aumento da produção de combustível de aviação e incentivo ao uso de SAF, mas não há solução de curto prazo para evitar impactos neste verão.
O combustível de aviação está mais caro e o reajuste pode afetar o verão na Europa. A última escalada ocorre após o conflito no Oriente Médio, que interrompeu o fluxo pelo estreito de Ormuz e elevou os custos de importação. Em meio a isso, a oferta de refino no continente diminuiu.
A Europa depende fortemente de importações para abastecer voos. A região responde por uma parte significativa da demanda global, e o Golfo representa uma parcela relevante do abastecimento. Com o estreito de Ormuz fechado, o mercado passou a buscar alternativas, elevando os preços do combustível.
O que impulsiona a alta?
Dados de mercado mostram subida de preços entre fevereiro e abril, com picos acima de US$ 1.800 por tonelada na Europa. A queda de produção em várias refinarias da Europa intensificou a pressão, enquanto o petróleo bruto também subiu, pressionando margens das companhias aéreas.
A logística de suprimento está sob pressão. A Europa recebe combustível de diferentes regiões, incluindo Leste Asiático, EUA e Nigéria. A adaptação a novos players e a mudanças de qualidade de jet fuel tem acentuado a volatilidade dos preços.
Impactos para voos e tarifas
As companhias aéreas enfrentam custos elevados com combustível, que respondem por parte relevante das despesas operacionais. Empresas europeias e globais já anunciaram ajustes na oferta de voos para o verão e sinalizam reajustes de tarifas, principalmente em rotas de longa distância.
Entre as medidas em estudo, estão ajustes de horários, flexibilizações regulatórias e a exploração de ótimos modelos de abastecimento, como o “tankering” em situações pontuais. O objetivo é manter operação sem comprometer a segurança.
Cenário de disponibilidade e soluções
Especialistas apontam risco de escassez caso o estreito de Ormuz permaneça comprometido. Relatórios indicam estoques baixos em pontos estratégicos da Europa, com possibilidade de falta de combustível em aeroportos específicos se o problema persiste.
Para mitigar o risco, autoridades britânicas e a Comissão Europeia estudam medidas, como flexibilizar cancelamentos de voos e incentivar a importação de Jet A de outras regiões. A prioridade é manter conectividade sem desabastecer segmentos críticos.
Caminhos estruturais
Uma opção discutida é ampliar a capacidade de refino doméstica na Europa e, ainda, incentivar o uso de SAF, combustível de aviação sustentável. Apesar de mais caro hoje, o SAF pode reduzir dependência externa a médio prazo, desde que haja investimento e escala de produção.
Especialistas ressaltam que a transição requer planejamento de longo prazo e que impactos do preço podem permanecer até que supply e tecnologia se alinhem. Com isso, o verão europeu permanece sujeito a volatilidade do mercado de combustíveis.
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