- A mineradora canadense Sherritt anunciou o encerramento das operações de níquel em Cuba, sob pressão dos EUA, o que afeta a produção do metal para baterias e a participação cubana em operações de refino e venda no exterior.
- A saída também impacta a Energas, em que a Sherritt detém um terço das operações; a Energas responde por cerca de 10% da capacidade energética nacional, crucial para manter usinas termoelétricas antigas em funcionamento.
- Especialistas apontam que o principal efeito imediato será na geração de eletricidade e, por consequência, no abastecimento energético do país, que já enfrenta apagões frequentes.
- As ações da Sherritt chegaram a cair até 10% após a notícia, consolidando o impacto financeiro da retirada de Cuba no portfólio da empresa.
- O contexto é de endurecimento de sanções dos Estados Unidos contra Cuba, atingindo remessas, turismo e outros setores, com efeito agravante sobre a economia cubana e suas fontes de receita.
A mineradora canadense Sherritt decidiu encerrar suas operações de níquel em Cuba, sob pressão dos EUA, o que pode afetar a produção do metal, a geração de energia e a entrada de dólares no país. A medida ocorre em meio a uma ofensiva de Washington para reduzir fontes de receita da ilha caribenha. O anúncio impacta a participação da empresa em operações de refino no Canadá e em uma negociação de metais nas Bahamas, segundo analistas.
A Sherritt também participa da Energas, com uma participação de um terço em uma joint venture com as estatais cubanas de energia e petróleo. A Energas responde por cerca de 10% da capacidade de geração de energia nacional, atuando como fonte de reserva para as usinas termoelétricas cubanas diante de apagões recorrentes.
Essa retirada ocorre em um momento de crise energética em Cuba, com cortes de fornecimento e aumento da instabilidade. A decisão da Sherritt elevou as quedas de ações da empresa em Toronto, após uma queda semanal anterior ligada à notícia da retirada de Cuba. Analistas apontam que o impacto deve se concentrar na oferta de energia e na receita externa do país.
Impacto econômico e cenário externo
Especialistas ressaltam que a produção de níquel, anteriormente uma das principais exportações cubanas, deverá sofrer rungue com a redução de receita e menor participação em operações de refino. Em 2021, o níquel era a principal exportação de Cuba, mas, em 2024, ficou em terceiro lugar, com valores muito inferiores aos registrados no início da década, segundo dados de observatórios econômicos. A redução pode ampliar a dependência de Cuba de importações e de apoio externo para manter a rede de energia.
As sanções dos EUA, iniciadas no início de 2024, atingem remessas, turismo e brigadas médicas, entre outros setores. Estudiosos destacam que as ações visam reduzir receitas externas do país e pressionar o governo cubano, com impactos observados na balança de pagamentos e no cotidiano econômico. Autoridades cubanas classificam as medidas como chantagem econômica que dificulta o funcionamento da economia.
Além disso, há atenções voltadas para outras empresas estrangeiras com operações em Cuba, incluindo redes hoteleiras espanholas, que teriam prazo para encerrar atividades com o conglomerado militar cubano para evitar sanções adicionais. O governo cubano não comentou detalhadamente sobre a retirada da Sherritt, mas indicou que as sanções dificultam o funcionamento econômico.
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