- A inteligência artificial é apresentada como ameaça até para cargos altos; humanos devem se tornar mais reflexivos para manter sua relevância no trabalho.
- Michel Alcoforado afirma que, conforme as máquinas replicam tarefas, as pessoas precisarão inventar constantemente novas competências para acompanhar a evolução.
- Segundo ele, há mais medo do que entusiasmo em relação à IA, com pressão sobre gestores e resistência entre trabalhadores que veem seus skills em risco.
- Para liderar diante desse cenário, o caminho é construir uma cultura organizacional comum e inventar o futuro, alinhando equipes em torno de esse propósito.
- o festival Gramado Summit recebeu a visão do antropólogo, que também destaca a necessidade de olhar para a humanidade como diferencial humano frente à automação.
O antropólogo do consumo Michel Alcoforado afirma que a inteligência artificial ameaça até cargos de alto escalão. Em entrevista à Época NEGÓCIOS, ele destacou que, conforme as máquinas avançam, o desafio humano passa a ser investir na nossa capacidade reflexiva.
Alcoforado palestrou no Gramado Summit, festival de inovação realizado no Serra Park, em Gramado (RS). Ele apresentou a visão de que a humanidade precisa evoluir a partir da própria forma de pensar, já que a máquina compete pela execução de tarefas repetitivas com velocidade e custo menores.
Segundo o pesquisador, o caminho para o futuro é tornar-se mais humano na essência: pensar sobre o pensar. Ele diz que atividades padronizadas estão sob risco, pois a IA entrega resultados rapidamente, com menor custo, substituindo funções antes consideradas estáveis.
O autor de Coisa de Rico afirma ainda que o medo da IA vem crescendo entre trabalhadores e gestores. Dados do Fórum Econômico Mundial são citados para indicar maior apreensão ao longo do tempo, refletindo resistência interna às mudanças tecnológicas.
Alcoforado aponta que o desafio é significativo para lideranças. Em vez de apostar apenas em tecnologia, ele orienta criar um “colchão comum” cultural que sincronize equipes, além de estimular a construção de futuros possíveis para manter o sentido do trabalho.
Ele reforça a necessidade de líderes promoverem engajamento sem depender de estágios previsíveis ou cargos tradicionais, destacando que o RH terá papel central ao cultivar rituais e valores compartilhados, mesmo diante de mudanças rápidas no mercado.
Por fim, o antropólogo enfatiza que a verdadeira saída humana não é escapar das máquinas, e sim usar a capacidade de inventar novas atividades. O tema central do debate no Gramado Summit envolve como manter relevância profissional em uma era de automação cada vez mais presente.
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