- A K-beauty, que já é destaque global graças ao K-pop, enfrenta críticas por falta de diversidade de tons e padrões de beleza ao longo de sua expansão.
- Um relatório de 2025 do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul aponta que pouco mais de 38% dos adultos não entendem diversidade cultural, enquanto 54% têm estereótipos alimentados pela mídia.
- A demanda mundial por produtos de K-beauty cresce, com a Coreia do Sul exportando para os EUA em 2024 cerca de US$ 1,7 bilhão; lojas como Sephora ampliam presença, e varejistas abrem espaços dedicados à marca fora da Coreia.
- Marcas locais já investem em tons mais inclusivos: a Tirtir, que antes tinha poucos tons, passou a oferecer até 40 tons de base cushion, com possibilidade de personalização de até 150 tons.
- Empreendedores anunciam ações para ampliar diversidade, como a K+Brown, que prepara uma linha de skincare para peles com melanina e já registra lista de espera de milhares de pessoas.
Nos últimos anos, a K-beauty ganhou proeminência global, acompanhando o impulso da cultura coreana conhecida como Hallyu. Shows de K-pop atraem público diverso, com fãs de várias partes do mundo cantando em coreano. Paralelamente, a Coreia busca ampliar sua economia por meio da exportação cultural.
Apesar da popularidade, a K-beauty enfrenta desafios para atender a um público mais amplo. A oferta de tons de maquiagem ainda é historicamente limitada, com foco em pele clara a média, e a imagem de marcas costuma favorecer modelos magras. A evolução para inclusão depende de mudanças no design de produtos e no marketing.
A ascensão do K-pop também expõe tensões sobre expressão de gênero e masculinidade, com ídolos adotando estilos variados e maquiagem. Tal influência reforça demandas por diversidade, embora o setor de beleza coreano ainda enfrente entraves para abranger diferentes tons de pele e identidades.
Desafios de diversidade e números nacionais
Um relatório de 2025 do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul revela que cerca de 38% dos entrevistados não entendem bem o conceito de diversidade cultural, e 54% desenvolveram preconceitos por meio da mídia. Esses dados apontam lacunas no entendimento público sobre inclusão.
A homogeneidade étnica do país e uma imigração historicamente restrita ajudam a explicar a concentração de tons de pele disponíveis. Debates sobre se a K-beauty deve ser mais inclusiva ganharam evidência entre consumidores e pesquisadores, com opiniões divergentes sobre custos e eficácia real.
Expansão internacional e resposta de marcas
A Globalização da K-beauty se acelera com a Coreia superando a França como maior exportador de cosméticos para os EUA, em 2024, com remessas de cerca de US$ 1,7 bilhão. Marcas coreanas chegam a big-boxes e varejistas como Costco, Target e Sephora, ampliando a presença nos EUA.
A Sephora firmou parceria com a Olive Young em 2026, abrindo lojas próprias de K-beauty nos EUA, e varejistas europeus criam lojas-conceito em cidades como Paris e Varsóvia. Diante desse cenário, lojas especializadas no Reino Unido passaram a oferecer serviços de consultoria de tons e base.
Iniciativas e exemplos de inclusão
A The Beauty Edit Mayfair, em Londres, passou a oferecer masterclasses e tratamentos de K-beauty a partir de 2025, ampliando o acesso a produtos de diversas tonalidades para clientes internacionais. A empresária local destaca que a demanda não é exclusiva de comunidades asiáticas.
Marcas sul-coreanas também ajustam seu portfólio: a Tirtir, conhecida pela base Cushion, ampliou o leque de tons de 3 para 40, com possibilidades personalizadas que podem chegar a 150 tons. A mudança ocorreu após feedback de consumidores globais sobre correspondência de tom.
Algumas lojas em Seul já oferecem customização de tons em bases e batons, consolidando a ideia de tinturas sob medida. A marca Beauty of Joseon tem ganhado tração internacional com protetores solares adaptados a tons de pele mais escuros, reforçando a tendência de inclusão.
Novos rumos e perspectivas
Especialistas apontam que a demanda por diversidade em K-beauty tende a crescer à medida que marcas expandem internacionalmente. O incentivo a produtos com maior variedade de tons pode impulsionar a fidelidade do cliente e a recompra. O debate sobre inclusão, porém, permanece em evolução, com movimentos do setor buscando equilibrar custo, acessibilidade e representatividade.
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