- Importadores de Tianjin topam pagar 10% a mais por carne bovina de frigoríficos que comprovem fazendas livres de desmatamento, com objetivo de comprar 50 mil toneladas até o final do ano.
- O acordo representa cerca de 4,5% do que os exportadores brasileiros de carne bovina devem vender para a China neste ano.
- A iniciativa ocorre em um momento em que a China sinaliza preocupação com impactos ambientais do comércio e busca proteger sua indústria nacional, com ações como a proibição do desmatamento ilegal em cadeias de suprimentos.
- A carne com o selo Beef on Track, desenvolvido pela Imaflora, permitirá rastreabilidade e quatro níveis de compliance, incluindo verificação de desmatamento nas fazendas.
- Há ceticismo no setor brasileiro: a Abiec vê riscos de novas exigências freando o mercado, e a efetiva implementação do sistema de rastreabilidade pode levar tempo.
A associação das importadoras de carne de Tianjin revelou disposição para pagar 10% a mais por carne bovina brasileira proveniente de fazendas livres de desmatamento. A iniciativa visa certificar cadeias de suprimento e inclui um volume-alvo de 50 mil toneladas até o fim do ano.
O movimento envolve a Associação da Indústria de Carnes de Tianjin, que representa cerca de 40% das compras brasileiras de carne bovina para a China. A meta amplia o debate sobre sustentabilidade na cadeia e o interesse de importadores por práticas ambientais.
A notícia surge em meio a sinalizações da China de agir sobre impacto ambiental do comércio, sem abandonar a proteção da indústria doméstica. A China já proibiu o desmatamento ilegal de madeira desde 2019 e firmou acordo com o Brasil para reduzir desmatamento impulsionado pelo comércio.
O que está em jogo
A maré de mudanças envolve a certificação Beef on Track, criada pela ONG Imaflora, com quatro níveis de rastreabilidade. O selo será utilizado para identificar lotes com origem legal e livre de desmatamento, inclusive evitando trabalho escravo.
Importadores de Tianjin pretendem pagar 10% a mais por carne de frigoríferos que comprovem a origem sem desmatamento. A meta de Tianjin é importar 50 mil toneladas com certificação até o fim do ano.
A discussão ocorre em um contexto de cotas chinesas para carne bovina, com o Brasil estimando atingir em breve o teto de 1,1 milhão de toneladas. A cobrança adicional de 55% pode ocorrer após o fim da cota.
Perspectivas e receios
Especialistas ressaltam que a carne brasileira é fortemente associada ao desmatamento entre as commodities agrícolas exportadas para a China. A rastreabilidade é vista como ferramenta para reduzir riscos sanitários e ambientais.
A Abiec, representante dos frigoríficos brasileiros, manifestou cautela quanto a novos selos, defendendo diálogo com sistemas já consolidados para evitar entraves à produção. A entidade não respondeu prontamente às perguntas da imprensa.
O projeto de Tianjin busca valor agregado ao produto, mirando consumidores dispostos a pagar mais por sustentabilidade. A iniciativa, ainda que promissora, depende de aprimoramento do sistema de rastreabilidade brasileiro, considerado por promotores suscetível a fraudes.
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