- O Brasil tem apenas uma linha diária de trem de passageiros de longa distância: a EFVM, com 664 quilômetros entre Cariacica, no Espírito Santo, e Belo Horizonte, em Minas Gerais, passando por 40 municípios; a viagem leva entre 13 e 19 horas e os preços em fevereiro de 2026 eram R$ 87 em econômica e R$ 125 em executiva.
- O trem opera com duas locomotivas, velocidade máxima de 67 km/h e passagem por 30 estações; o trem adquirido em 2014 na Romênia tem vagões com ar-condicionado, tomadas, mesas e acesso para cadeirantes; não há cintos de segurança por regra de baixo risco.
- A EFVM transporta cerca de 2.000 passageiros por dia, com 890.000 passageiros em 2025; a lotação máxima por viagem é de 850 pessoas; o trem conta com equipe de maquinistas, chefe de trem, alimentação, segurança a bordo e enfermaria.
- A ferrovia brasileira enfrenta histórico legado de desinvestimento, com apenas 30.684 quilômetros de malha em 2025 e cerca de 10.000 quilômetros sem tráfego; a bitola métrica (1.000 milímetros) predomina, o que dificulta padronização e expansão; nos Estados Unidos há mais de 39 estados com grandes redes.
- No futuro, está prevista uma segunda linha de operação diária em 2027 (Estrada de Ferro Carajás, no Pará ao Maranhão); a Confederação Nacional da Indústria revela interesse de empresários no modal ferroviário com melhoria de infraestrutura; especialistas defendem uso da malha ferroviária alinhado à demanda e ao desenvolvimento econômico.
O Brasil possui apenas uma linha de trem de passageiros com operação diária de longa distância: a EFVM, Estrada de Ferro Vitória a Minas. A viagem ligando Cariacica (ES) a Belo Horizonte (MG) percorre 664 quilômetros, passando por 40 municípios em dois estados. O trajeto leva de 13 a 19 horas, dependendo das condições.
Operada pela Vale, a EFVM utiliza dois locomotives — uma na frente para monitorar a linha em tempo real e outra para condução do trem. A velocidade máxima é de 67 km/h e o trem pode transportar até 850 passageiros por viagem, com fluxo diário estimado em cerca de 2 mil pessoas.
O trem atual foi adquirido em 2014 na Romênia e oferece conforto com ar-condicionado, tomadas, mesas dobráveis e portas automáticas. Um vagão é adaptado para cadeirantes e há uma enfermaria a bordo. A composição inclui carro gerador, carro-lanchonete, vagão-restaurante, quatro vagões executivos, oito econômicos e um vagão especial.
Em fevereiro de 2026, o bilhete de ida em classe econômica estava em torno de R$ 87, e a econômica em R$ 125 para a executiva. Em comparação, viagens de carro entre as mesmas cidades costumam exigir menos tempo, porém com custo diferente, conforme combustível, pedágios e condições da viagem.
O cenário ferroviário brasileiro é marcado pela escassez de linhas diárias de longa distância. O país tem 30.684 km de ferrovias, com cerca de 10.000 trechos sem tráfego. Em contraste, os Estados Unidos contabilizam milhares de estações em dezenas de rotas de longa distância.
O que mudou e o que pode mudar
A EFVM representa o histórico de transporte de minério e cargas, mas também mantém o serviço de passageiros. Em 2027, a Vale planeja inaugurar uma segunda linha com operação diária: a Estrada de Ferro Carajás, que liga Pará ao Maranhão, receberá um novo trem para passageiros, ampliando a oferta.
A fragilidade da malha ferroviária brasileira decorre de décadas de desinvestimento e da priorização do transporte rodoviário. A bitola métrica brasileira, herdada do período imperial, dificulta padronizações modernas e maiores velocidades.
Um estudo da CNI mostra que há interesse de empresários na utilização do modal ferroviário, desde que haja infraestrutura adequada. Especialistas afirmam que revitalizar a rede exige mais do que ampliar trilhos; envolve reposicionamento estratégico da ferrovia na matriz de desenvolvimento nacional.
Segurança, ambiente e experiência de viagem
Dados da ANTT indicam que a EFVM apresenta o menor índice de acidentes entre ferrovias do país, com melhorias significativas desde a década de 1990. Em comparação com outros meios, o trem oferece menor risco de morte e emissões menores em viagens de longa distância.
Passageiros ouvidos pela reportagem destacam a relação custo-benefício e a experiência a bordo, que inclui serviço de bordo e conforto em viagens de longa duração. Relatos de passageiros descrevem a viagem como acessível e agradável, com aspectos nostálgicos para quem já viajou antes.
A trajetória da EFVM ilustra a função atual do trem de passageiros no Brasil: operação diária em uma rota de longa distância, servindo como referência de praticidade e custo-benefício, enquanto o país avalia políticas públicas para ampliar a malha ferroviária.
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