- A Compass estreia na B3 nesta segunda-feira com IPO que pode movimentar até R$ 3,2 bilhões, primeira abertura de capital desde 2021.
- A operação é totalmente secundária, ou seja, não envolve dinheiro novo para a Compass; fundos vão para os atuais acionistas, incluindo Cosan, e não para o caixa da empresa.
- O preço por ação ficou em R$ 28, com a oferta inicial de 89,3 milhões de ações, ampliada por lotes adicionais para cerca de 76,8 milhões de ações no total, elevando o valor aproximado para R$ 3,2 bilhões.
- A Cosan deve reduzir sua participação de 88% para 77,25% (podendo chegar a 75,37% com ações adicionais); a operação envolve 76,8 milhões de ações, com lote suplementar de 13,4 milhões.
- A Compass atua em distribuição, infraestrutura e comercialização de gás, com participação em Comgás e outras distribuidoras, cerca de 3,1 milhões de clientes, rede de ~28 mil quilômetros e 14,4 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
A Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, estreia na B3 nesta segunda-feira (11) com uma oferta pública inicial de ações (IPO) que pode movimentar até aproximadamente R$ 3,2 bilhões. A operação marca a primeira abertura de capital no Brasil desde 2021.
O IPO é totalmente secundário, ou seja, não há emissão de novas ações. Os papéis ofertados pertencem a acionistas atuais que reduzem participação. Entre eles estão a Cosan, fundos Atmos e Brasil Capital, Bradesco Vida e Previdência, além do grupo Bússola. Os recursos vão para os vendedores, não para a Compass.
A Compass será listada com o código PASS3. O preço inicial acordado foi de R$ 28 por ação, dentro da faixa de R$ 28 a R$ 35. A operação envolve 89,3 milhões de ações, estimadas em cerca de R$ 2,5 bilhões, com possível expansão para até R$ 3,2 bilhões conforme demanda.
Detalhes da oferta e participação
A demanda elevou o tamanho da oferta, com lotes adicionais de ações que aumentaram o valor total em cerca de R$ 700 milhões. A Compass passou a ser avaliada em torno de R$ 20 bilhões após a conclusão do IPO. O BTG Pactual lidera a operação, atuando como coordenador líder, com participação de bancos como Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP, BNP Paribas e UBS BB.
A operação é integralmente secundária e envolve 76,8 milhões de ações, com possibilidade de 13,4 milhões de papéis adicionais. A Cosan informou que reduzirá sua participação de 88% para 77,25%, podendo chegar a 75,37% caso os papéis suplementares sejam vendidos no IPO. O objetivo divulgado é reduzir o endividamento do grupo.
Sobre a Compass e seu negócio
A Compass atua em distribuição, infraestrutura e comercialização de gás natural. Entre seus ativos está a participação na Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país, com atuação em São Paulo. A carteira ainda inclui Sulgás, Compagás, MS Gás e SCGás, além do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), no Porto de Santos, que importa GNL.
A empresa investe na expansão da rede de distribuição para atender residências, comércios e indústrias, especialmente em regiões com maior atividade econômica. O grupo reporta cerca de 3,1 milhões de clientes conectados e uma rede de aproximadamente 28 mil quilômetros, com distribuição diária de 14,4 milhões de metros cúbicos de gás. Investimentos desde 2020 somam cerca de R$ 15 bilhões.
Contexto do mercado de IPOs no Brasil
O Brasil não via uma abertura de capital desde setembro de 2021, quando a Vittia estreou na bolsa. A retomada ocorreu neste ano, impulsionada por condições globais mais favoráveis, apesar de juros elevados. A taxa Selic, que chegou a 15% ao ano, foi reduzida para 14,5% e pode seguir em trajetória de queda, o que costuma estimular novas ofertas.
Investidores costumam buscar renda fixa em ambientes de juros altos, o que explica, em parte, a escassez de IPOs no período recente. O mercado acompanha ainda questões internacionais e variações cambiais, que influenciam a percepção de risco e o interesse por novas emissões.
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