- A dolarização avança em Cuba: em restaurantes, lojas privadas e serviços de Havana, o dólar passa a ser referência de valor, além do peso cubano, que continua como moeda oficial.
- No mercado informal, o dólar é negociado entre 400 e 500 pesos cubanos por dólar, superando as taxas oficiais do Banco Central.
- Salários continuam baixos: o mínimo é de cerca de 2,1 mil pesos cubanos por mês, e o salário médio fica em torno de 5,8 mil, o que equivaleria a aproximadamente 4 a 5 dólares mensais para o mínimo e 11 a 14 dólares para o médio, no câmbio informal.
- A dolarização reconfigura serviços: bicitáxis e passeios turísticos passaram a aceitar pagamentos em dólar, com tarifas cobradas em moeda estrangeira para turistas.
- Cuba mantém três referências de valor: câmbio oficial, preços regulados pelo Estado e o mercado informal, onde o dólar dita o custo real de bens e serviços.
O dólar avança em Cuba, transformando o cotidiano econômico. Restaurantes, lojas privadas e serviços em Havana passam a aceitar o dólar ao lado do peso cubano, revelando uma mudança estrutural na forma de consumir e de pagar.
O fenômeno surgiu de uma crise prolongada desde 2020, com retração econômica, queda de turismo e desequilíbrios macro. O peso cubano continua como moeda oficial, mas o dólar se consolidou como referência de valor fora do setor estatal.
Dolarização em Havana
No principal eixo turístico da capital, o dólar já domina boa parte de transações em estabelecimentos privados e na venda de artesanato. No mercado informal, a cotação do dólar fica entre 400 e 500 pesos por unidade, acima das taxas oficiais.
A reforma monetária de 2021 eliminou o peso convertível e deixou o peso cubano como única moeda oficial, porém a economia real não acompanhou, favorecendo o dólar como referência de preço. Essa assimetria molda custos e salários.
No dia a dia, trabalhadores do setor privado e quem recebe remessas têm maior acesso à moeda estrangeira, enquanto funcionários do Estado dependem do peso cubano. A economia local passa a operar com três referências de valor: câmbio oficial, preços estatais e mercado paralelo.
Bicitaxistas e serviços turísticos passaram a negociar em dólar ou com pagamentos mistos, o que reforça a presença do dólar mesmo em atividades tradicionais. Passeios e corridas por Havana costumam ter tarifas cotadas em dólares para turistas.
Entre residentes e visitantes, a diferença de acesso a bens básicos se acentua. O salário mínimo fica em torno de 2,1 mil pesos mensais, e o salário médio em cerca de 5,8 mil pesos, valores que, no câmbio informal, equivalem a poucos dólares por mês.
Para turistas, a aceitação do dólar facilita o consumo e sustenta parte da atividade econômica. Um city tour de duas horas, por exemplo, pode custar cerca de US$ 10 por pessoa, enquanto deslocamentos locais variam conforme a demanda.
A dinâmica também envolve trabalhadores artesanais e empreendedores que operam com micro, pequenas e médias empresas, ampliando o papel do dólar na economia não estatal. O peso cubano permanece como moeda formal, mas com menor função de reserva de valor.
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