- A Polícia Federal apreendeu R$ 71 milhões em criptomoedas usados em crimes em 2025, recorde, mais de seis vezes o valor de 2024.
- O levantamento tem escopo limitado e não inclui apreensões feitas por polícias civis; não há registros anteriores a 2023.
- Entre 2017 e 2020, um esquema de lavagem de dinheiro movimentou cerca de R$ 12,2 bilhões, segundo a matéria.
- Em 2025, as stablecoins, em especial o USDT, ganharam destaque: o volume de stablecoins no Brasil chegou a R$ 361 bilhões, com USDT respondendo por 90% desse total em dezembro de 2025; o BTC ficou em R$ 2,6 bilhões naquele ano, frente R$ 29,4 bilhões das stablecoins.
- Criptomoedas são usadas por criminosos para movimentar recursos internacionalmente e dificultar rastreamento, mas especialistas ressaltam que as transações podem ser rastreadas e que o aumento de apreensões pode refletir maior efetividade das investigações.
A Polícia Federal apreendeu criptomoedas usadas em crimes que somaram 71 milhões de reais em 2025, valor registrado pela autoridade via Lei de Acesso à Informação. A cifra representa mais de seis vezes o montante de 2024 e sinaliza o aumento das evidências digitais em investigações de lavagem de dinheiro, tráfico, crimes ambientais e golpes online.
Os dados indicam que o levantamento tem escopo limitado, já que não existem registros anteriores a 2023 e não entram apreensões feitas por polícias civis. Ainda assim, mostram que quadrilhas movimentam valores muito superiores ao que é apreendido pela PF. Um caso citado envolve lavagem de dinheiro de 12,2 bilhões de reais entre 2017 e 2020.
A PF atuou com Bitcoin e stablecoins em investigações recentes, incluindo ataques hackers contra a infraestrutura do Pix que desviaram 1,5 bilhão de reais. As apurações também envolvem grandes lavadores de dinheiro e redes de tráfico humano.
Stablecoins ganham destaque
Segundo dados da Receita Federal, o Bitcoin representava quase metade das operações de cripto no Brasil em 2020, e hoje fica abaixo de 10%. Desde 2021, o ativo mais movimentado no país é o USDT, uma stablecoin atrelada ao dólar. O Portal do Bitcoin, com base na Receita, aponta crescimento de 480 vezes no volume de stablecoins no Brasil entre 2020 e 2025, atingindo 361 bilhões de reais. Em dezembro de 2025, as stablecoins somaram 29,4 bilhões de reais, versus 2,6 bilhões de reais de BTC. No ano anterior, o USDT respondeu por 90% do volume de stablecoins no país.
A velocidade das transações em USDT é citada por autoridades como um desafio para investigações. A depositaria de Bitcoins exige confirmação de blocos que ocorre em minutos, enquanto as stablecoins permitem liquidação em segundos, aumentando a complexidade de rastreamento.
Transparência das blockchain também favorece o trabalho policial. Transações de Bitcoin ficam registradas em uma base pública, o que facilita o rastreamento quando há cooperação com corretoras e plataformas reguladas. A PF criou, em 2022, um núcleo dedicado a criptoativos; hoje, a maioria dos estados conta com células especializadas em crimes digitais.
A leitura sobre o tema aponta que, embora haja crescimento de uso criminoso, esse contexto representa uma fração de um mercado amplo e legítimo. O desafio das autoridades é acompanhar a expansão tecnológica sem associar automaticamente cripto a crime.
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