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Região combina exploração de lítio, produção de cachaça e polo da fruticultura

Jaíba, maior perímetro irrigado da América Latina, impulsiona fruticultura, cacau e cachaça premium; atrai investimentos, mas logística ainda é gargalo

A exploração de lítio trouxe holofotes recentemente, mas são a fruticultura irrigada e a cachaça artesanal que consolidam o potencial econômico da região há décadas.
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  • Jaíba é o maior perímetro irrigado em área contínua da América Latina, produzindo 1,6 milhão de toneladas de alimentos por ano e liderando a banana-prata, com exportação de manga e limão a 36 países, gerando cerca de 45 mil empregos.
  • A região avança para cacau em pleno semiárido, com 580 hectares irrigados, enquanto Salinas produz mais de 5 milhões de litros de cachaça por ano, com garrafas premium que chegam a R$ 1 mil.
  • Embora haja interesse em lítio, a fruticultura irrigada e a cachaça artesanal são os pilares econômicos de longa data, atraindo investimentos de mais de 300 milhões de reais vindos de Santa Catarina.
  • Exportação de Salinas representa menos de 5% do setor, com missões e feiras internacionais buscando ampliar o alcance do “estilo Salinas” ao mercado externo.
  • O governo de Minas investe em Jaíba com 23,1 milhões de reais para infraestrutura, como a recuperação do canal CP3, e incentivos como o BDMG Verde Agro, visando ampliar a produção e a conectividade regional.

A região norte de Minas Gerais concentra o maior perímetro irrigado contínuo da América Latina, entre os rios São Francisco e Verde Grande. O conjunto produz 1,6 milhão de toneladas de alimentos por ano, com Jaíba à frente da banana-prata, manga e limão exportados para 36 países.

Além da fruticultura, a área tem investido no cacau no semiárido: há 580 hectares irrigados que desafiam o clima. Salinas se destaca pela produção de cachaça artesanal, com mais de 5 milhões de litros ao ano e garrafas premium que chegam a R$ 1 mil.

A região vive um paradoxo: apesar de o lítio ganhar holofotes, a fruticultura irrigada e a cachaça consolidam o potencial econômico há décadas. Investidores de fora costumam descobrir, ao chegar, um mercado ainda maior no agro.

Jaíba lidera a produção, com 256 hectares plantados, representando mais da metade da produção do estado. Em seguida aparecem Janaúba, Bandeira e Matias Cardoso, todos no norte mineiro, que responde por boa parte da produção de Minas.

O uso de tecnologia no campo é essencial para o avanço. Estão em prática sistemas de microaspersão e gotejamento, que reduzem o consumo de água e elevam a produtividade. O estado investe em infraestrutura para ampliar esse ganho.

O governo de Minas destinou 23,1 milhões de reais para Jaíba, incluindo 6,6 milhões para restaurar o Canal CP3, que irrigaa 8,2 mil hectares. Outras obras de macrodrenagem visam recuperar 1,4 mil hectares até agosto.

Investidores de fora já perceberam incentivos fiscais: o imposto de renda pode ser reduzido a 75% e parte dos índices pode ser reinvestida. Juros locais costumam ser mais competitivos que no restante do país, segundo gestores da região.

Salinas foca a cachaça de alto valor agregado, com embalagens premium e rótulos que valorizam o produto. A região já exporta, mas o mercado externo representa menos de 5% do setor; há missões internacionais para ampliar a presença no exterior.

A produção de cachaça supera 5 milhões de litros por ano. O selo de Indicação Geográfica ajuda a proteger o nome Salinas e a garantir autenticidade, elevando o preço de garrafas especiais que podem chegar a 1 mil reais.

Logística é o principal gargalo. A BR-251, conhecida como rodovia da morte, registra acidentes frequentes e dificulta o escoamento de bebidas em vidro. Falta de malha ferroviária e transporte especializado agravam o custo logístico.

O governo estadual tem buscado melhorias com ações regulatórias. O Decreto 48.883 modernizou a regularização de terras, facilitando crédito com títulos de propriedade. Programas como BDMG Verde Agro também apoiam investimentos em agro 4.0.

Projetos apontam para ampliar Jaíba e atrair novos investidores. A Codevasf realiza consultas públicas para as etapas III e IV do projeto, visando ampliações que fortaleçam tanto a fruticultura quanto a cacauicultura da região.

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