- O IPCA subiu 0,67% em abril, maior para o mês desde 2022, com a desaceleração frente a abril de março.
- O grupo alimentação e bebidas avançou 1,34% no mês, puxando a inflação, com altas de cenoura, cebola, tomate e carnes.
- O diesel aumentou 4,46% em abril e a gasolina 1,86%, ambos contribuindo para a pressão sobre os preços.
- Em 12 meses, o IPCA acumulou 4,39% até abril, influenciado pela guerra e pelos custos de transportes e insumos.
- Analistas sinalizam expectativa de inflação próxima de 5% ao fim do ano, com efeitos sobre alimentos e transportes e revisão de projeções por bancos.
O IPCA acelerou menos em abril, mas continuou pressionado pela composição de itens ligados à guerra no Irã, o que complica o cenário inflacionário em ano eleitoral. Dados do IBGE mostram alta de 0,67% no mês, ante 0,88% em março, registrando o maior ganho para abril desde 2022.
Analistas apontam que o choque geopolítico manteve elevadas as cotações de commodities e petróleo, com reflexos importantes para combustíveis e para o custo de vida. A leitura é de que o repasse aos preços ainda não foi completo, mas tende a ocorrer nos próximos meses.
O grupo alimentação e bebidas puxou a alta de abril, com 1,34%, mantendo a pressão entre os nove setores pesquisados. A cifra reflete também elevações pontuais em itens como cenoura, cebola, tomate e leite, além do impacto indireto do frete.
Pelo lado dos combustíveis, diesel registrou alta relevante de 4,46% em abril, após subida de 13,9% em março. A gasolina também avançou, though a um ritmo menor, contribuindo com a pressão geral do índice, já que o combustível tem peso significativo na cesta de consumo.
No acumulado de 12 meses até abril, o IPCA ficou em 4,39%, acima do registrado no mês anterior. Analistas acompanham o ritmo para estimar se a inflação fechará o ano próximo de 5%, ainda acima da meta do Banco Central.
A MB Associados aponta que o cenário pode manter tensões em itens sensíveis ao bolso, como alimentação e transportes, com efeitos de transmissão aos custos de produção. A perspectiva de inflação mais elevada alimenta incertezas fiscais e políticas.
Asa revisou sua projeção de inflação para 2026, passando a esperar 5,3% no acumulado de 12 meses, frente a 5% anteriormente. O ajuste decorre da leitura de que a perda de tração do processo desinflacionário é mais persistente, especialmente por serviços e pela commodity petróleo.
Para especialistas, a combinação de demanda moderada, endividamento da população e choques externos reforça a necessidade de monitorar sinais de acomodações nos preços ao consumidor ao longo do segundo semestre.
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