- O IPCA de abril subiu 0,67%, desacelerando em relação a março, mas a composição da inflação ficou mais pump.
- Núcleos do índice aceleraram de 0,43% para 0,5% no mês, indicando mayor dificuldade para a desinflação.
- Inflação de serviços recuou de 0,53% para 0,04% devido à queda de passagens aéreas; serviços subjacentes, porém, avançou 0,52%.
- Combustíveis seguiram pressionando: gasolina subiu 1,86% (contribuição de 0,10 p.p.), diesel +4,46% e etanol +0,62%.
- Alimentação e saúde, juntos, responderam por cerca de dois terços da inflação; alimentos (+1,34%) e saúde (+1,16%) mantêm pressão, enquanto habitação avançou 0,63% e transportes recuou 0, (quase) 0,06%.
O IPCA subiu 0,67% em abril, segundo o IBGE, desacelerando frente a 0,88% de março. Mesmo com o índice cheio mais fraco, a composição da inflação ficou mais concentrada em alimentos, energia e serviços.
O economista André Valério, do Banco Inter, aponta que a média dos núcleos acelerou de 0,43% para 0,5%, sinalizando fim de desinflação nos núcleos. A inflação de 12 meses chegou a 4,39%.
A inflação de serviços desacelerou, de 0,53% para 0,04%, mas o núcleo subjacente subiu de 0,49% para 0,52%. O resultado reforça cautela para o Copom, ainda que o avanço tenha ficado dentro do esperado.
Riscos externos, como o conflito no Oriente Médio e a possibilidade de El Niño no segundo semestre, são citados como pressões adicionais para alimentos e energia. O cenário pode manter volatilidade de preços.
O Inter projeta o IPCA encerrando 2026 com alta de 4,90%. Mesmo assim, há espaço para cortes de juros, com expectativa de queda de 0,25 p.p. na próxima decisão, marcada para 17-18 de junho.
COMBUSTÍVEIS PRESSIONAM
Os combustíveis continuaram puxando a inflação, a segunda leitura desde o início do conflito no Oriente Médio. A gasolina subiu 1,86% em abril, contribuindo com 0,10 p.p. para o índice do mês, ainda que menos que março.
O óleo diesel avançou 4,46% e o etanol subiu 0,62%, enquanto o gás veicular caiu 1,24%. No agregado, o grupo de combustíveis avançou 1,8% em abril, com a gasolina desacelerando pela queda do petróleo no mercado internacional, ainda acima de US$ 100.
INFLAÇÃO DE BENS INDUSTRIAIS
A inflação de bens industriais acelerou, de 0,31% para 0,62% em abril, segundo o economista do Inter. O grupo vinha ajudando na desinflação em 2025, mas o choque do petróleo pode reduzir esse papel no restante do ano.
ALIMENTOS E SAÚDE
Alimentação e bebidas, junto com Saúde e cuidados pessoais, responderam por cerca de 2/3 da inflação do mês. Alimentos avançou 1,34% e Saúde 1,16%. A alimentação no domicílio subiu 1,64%, com o reajuste de medicamentos a partir de 1º de abril impulsionando os farmacêuticos.
Entre os demais setores, Habitação avançou 0,63% e Transportes recuou para 0,06%, puxado pela queda de 14,45% das passagens aéreas.
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