- Dados da Rais indicam que cerca de 35 milhões de trabalhadores com carteira assinada atuam acima de 40 horas por semana.
- Isso significa que quase 6 em cada 10 empregados formais trabalham além do limite constitucional de 44 horas semanais.
- O governo discute a PEC para reduzir a jornada para 40 horas semanais e ampliar o descanso remunerado a dois dias por semana, com votação prevista.
- Desde 2017, houve aumento de 13,7% no total de trabalhadores acima de 40 horas, mas a participação relativa caiu de 66,5% para 58,3%.
- Quem trabalha 44 horas semanais recebe, em média, 57,7% menos do que quem atua até 40 horas; a maior presença desse grupo está entre ocupações de menor qualificação.
A Rais mostrou que cerca de 35 milhões de trabalhadores formais atuam com jornadas superiores a 40 horas semanais. A reportagem é da Folha de S. Paulo, com base nos dados do Ministério do Trabalho. A confirmação aponta que 6 em cada 10 empregados formais mantêm esse ritmo de trabalho.
Apesar do volume, o quadro também revela mudanças no perfil do mercado de trabalho. Entre 2017 e 2026, o número de pessoas com jornadas acima de 40 horas cresceu 13,7%, enquanto a participação relativa desses trabalhadores caiu de 66,5% para 58,3%.
A parcela mais impactada pela mudança está na faixa de 31 a 40 horas semanais, com alta de 75% no total de vínculos formais desde 2017. O aumento de contratos menores aparece ligado à reforma trabalhista de 2017, que flexibilizou negociações coletivas.
Desempenho por setor e salários
Análise do Ipea aponta que trabalhadores em 44 horas recebem, em média, 57,7% menos do que quem trabalha até 40 horas. A relação entre jornadas maiores e ocupações de menor qualificação é clara: mais de 83% dos que trabalham 44 horas têm, no máximo, ensino médio completo.
Medidas para reduzir a jornada vêm ganhando espaço também fora do Congresso. Grandes varejistas testam modelos 5×2, citando dificuldades de contratação e alta rotatividade. Os empregadores relatam melhoria na atração e retenção de candidatos, porém aumento de custos operacionais para reorganização de equipes.
A tramitação da proposta
A PEC, com redução gradual da jornada, prevê cortar o teto para 42 horas em 2027 e chegar a 40 horas em 2028, com parâmetros em negociação. O presidente da Câmara fechou acordo para votar a PEC e um projeto do governo sobre o tema.
A pauta é apresentada pelo Planalto como uma aposta de agenda para 2026, especialmente para trabalhadores urbanos e setores de renda mais baixa. A reforma segue em discussão, com impactos previstos para o mercado de trabalho formal.
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