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Blusinhas livres revigoram disputa no mercado de moda online

Fim da taxa de importação de até US$ 50 aumenta a competição entre C&A, Renner e Riachuelo e plataformas asiáticas, pressionando preços e margens

Blusinhas livres, mercado em guerra: o novo capítulo da moda online
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  • A medida provisória revogou a cobrança de 20% do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, o que pode intensificar a competição entre marcas nacionais como C&A, Renner e Riachuelo e plataformas asiáticas.
  • O governo afirma que a decisão busca aliviar a pressão de consumidores de baixa renda e estimular o consumo; a MP foi assinada na noite de 12 de maio.
  • O mercado reagiu negativamente: as ações de C&A, Renner e Riachuelo passaram a cair após o anúncio.
  • Analistas do BTG Pactual avaliam que a revogação reabre a disputa de competitividade entre varejo local e plataformas como Shopee e Shein, ressaltando possível aumento da diferença de preços.
  • Entidades divergem: Abit critica a medida por prejudicar a indústria nacional, enquanto Amobitec celebra a “democratização do consumo”.

O governo revogou a cobrança de 20% do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50, o que deve intensificar a competição entre as principais redes nacionais de moda — C&A, Renner e Riachuelo — e plataformas asiáticas. A medida foi sancionada por meio de medida provisória na noite de terça-feira, 12 de maio, para entrar em vigor sem prazo definido.

A motivação apresentada pelo Executivo é reduzir o custo para famílias de menor renda e estimular o consumo, principalmente em um cenário macroeconômico desafiador. A decisão foi tomada menos de seis meses antes das eleições presidenciais, segundo autoridades do governo.

A revogação gerou impactos iniciais no mercado financeiro. Por volta de 12h30, as ações da C&A recuavam cerca de 1%, as da Riachuelo caíam 0,8% e as da Renner tinham queda de 0,7%. Analistas do BTG Pactual destacaram a possibilidade de aumento da assimetria entre varejo local e plataformas estrangeiras.

Reação de mercado

O BTG Pactual aponta que a medida pode reabrir o debate sobre preços, margens e competição com plataformas como Shein, Shopee e Temu. Segundo o relatório, a diferença de preços pode voltar a ampliar diante de uma competição mais intensa.

Levantamento apresentado pelo banco mostra que, antes da cobrança, remessas de baixo valor vindas do exterior ultrapassavam 18 milhões mensais. Com a taxa em vigor, esse volume caiu para cerca de 11 milhões, recuperando depois para 15 milhões.

Especialistas do BTG destacam que as plataformas asiáticas ainda enfrentam desafios logísticos no Brasil, mas que as redes nacionais deverão ficar mais pressionadas a competir por consumidores de renda média e baixa.

Perspectivas para o setor

Na avaliação dos analistas, a disputa deve permanecer relevante para Renner, C&A e Riachuelo, com ganhos de eficiência operacional ajudando a reduzir impactos da competição. Estudos apontam que a Shein tende a oferecer preços mais baixos em diversas categorias.

A Abit, associação da indústria têxtil, manifestou preocupação com a medida, afirmando que prejudica investimentos e empregos locais. Em contrapartida, a Amobitec, que reúne Shein e Alibaba, comemorou a decisão, defendendo a democratização do consumo.

Em termos de mercado, as ações da Renner fecharam o período com valorização de 1,4% em 2026, a C&A registrou queda de 12,7% e a Riachuelo caiu 10%. O valor de mercado atual da Renner é de aproximadamente R$ 13,7 bilhões; a C&A vale cerca de R$ 3,3 bilhões, e a Riachuelo, R$ 4,2 bilhões.

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