- Dados de inflação indicam aceleração no Brasil e nos Estados Unidos, mantendo dúvidas sobre cortes de juros e sustentando juros mais altos por mais tempo.
- IPCA de abril subiu 0,67% e acumulou 4,39% em doze meses, acima da meta central de 4,5% e dentro do teto; alimentos, bebidas e saúde responderam por 67% da alta.
- Inflação de bens industriais avançou 0,62% em um mês, com alta em itens sensíveis ao ciclo econômico, reforçando a percepção de pressão mais ampla.
- Nos EUA, o CPI de abril avançou 0,6% (em linha com expectativas) e chegou a 3,8% na base anual; núcleo subiu 2,8% e energia puxou o ganho mensal.
- O mercado revisa as apostas de cortes: no Brasil, a Selic de 13% pode permanecer estável por mais tempo; nos EUA, o Federal Reserve mantém cautela e demanda sinais consistentes de desaceleração da inflação.
A inflação em alta nos EUA e no Brasil altera as projeções de juros para os próximos meses. Dados divulgados na terça-feira indicaram aceleração de preços, o que aumenta a dúvida sobre quando ocorram cortes na política monetária e eleva a percepção de taxas mais altas por mais tempo.
No Brasil, o IPCA de abril subiu 0,67%, ante 0,88% em março. Em 12 meses, a inflação ficou em 4,39%, acima da leitura de março e próximo da mediana das expectativas. Mesmo dentro do teto da meta de 4,5%, o reajuste foi acompanhado pela concentração de alta em alimentos, bebidas, saúde e cuidados pessoais.
A composição do IPCA aponta problemas que vão além de variações pontuais. Alimentos no domicílio subiram 1,64%, com altas expressivas em cenoura, leite, cebola, tomate e carnes. Já a inflação de bens industriais avançou para 0,62% em abril, impulsionada por itens sensíveis ao ciclo econômico e a custos de insumos.
Nos Estados Unidos, o CPI de abril avançou 0,6% na comparação mensal, em linha com as expectativas e abaixo de março. A variação anual ficou em 3,8%, o maior patamar desde maio de 2023 e acima da meta de 2% do Federal Reserve. O núcleo do CPI subiu 2,8% na base anual, acima do esperado pelo mercado.
O componente de energia foi o principal responsável pela aceleração mensal, com alta de 3,8%. Mesmo com o cessar-fogo, o efeito nos preços permaneceu, mantendo a inflação elevada nos EUA. O mercado passou a postergar as apostas de cortes de juros pelo FED para 2027, com probabilidade próxima de 97,6% de manutenção entre 3,50% e 3,75% na reunião de junho.
A leitura conjunta de abril aponta inflação persistente e menor espaço para afrouxamento monetário. No Brasil, a Selic de 13% ao ano pode permanecer estável por mais tempo. Nos EUA, o CPI acima do esperado reforça a postura de aguardar sinais consistentes de desaceleração antes de qualquer recuo na taxa básica.
Ainda assim, o mercado abriu o dia com leve recuperação. Índices americanos e ações brasileiras negociadas em Nova York registraram ganhos modestos, enquanto o barril Brent permaneceu em torno de US$ 107, com alta recente sustentada.
A agenda inclui a visita de Donald Trump à China, visto como fonte de volatilidade em cenários internacionais. A expectativa é de que o encontro com Xi Jinping possa reduzir tensões entre os dois países e influenciar a percepção de risco geopolítico, com impactos indiretos ao cenário econômico global.
Perspectivas
- No Brasil, a pressão inflacionária persistente sugere cautela para decisões de política monetária nos próximos meses.
- Nos EUA, a combinação de inflação elevada e frustração com quedas rápidas dificulta sinais de cortes de juros até que haja evidências mais fortes de arrefecimento dos preços.
Indicadores
Brasil
- Vendas no varejo (mar): esperado 0,0%; anterior 0,6%
- Vendas no varejo (12 meses): esperado 2,8%; anterior 0,2%
Estados Unidos
- Inflação no atacado / PPI (abr): esperado 0,5%; anterior 0,5%
- Núcleo da inflação no atacado / PPI (abr): esperado 0,3%; anterior 0,1%
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