- O fundo de capitalVärde avalia dividir WiZink: banco bom com a plataforma de cartões e um banco mau com as carteiras de empréstimos.
- A ideia seria que a Unicaja adquira o braço de cartões, enquanto o restante ficaria sob WiZink/Värde, que manteria as carteiras problemáticas.
- A negociação ocorre em paralelo a avaliações anteriores de venda parcial e à espera de impactos de jurisprudência sobre juros usurários.
- WiZink registrou prejuízo de 52,5 milhões de euros em 2025, com queda de receitas e aumento de despesas.
- A Unicaja apresentou bons resultados recentes, com lucro de 632 milhões de euros em 2025 e melhoria de margem, reforçada por medidas como recompra de ações e maior remuneração aos acionistas.
WiZink estuda desinvestimento por partes, dividindo o negócio para vender a parte de cartões à Unicaja e manter as carteiras de empréstimos sob outra estrutura. A operação ocorre após oito anos de propriedade do fundo Värde, com reestruturações e litígios em curso.
A estratégia envolve criar um “banco bom” com a plataforma de cartões, adquirido pela Unicaja, e um “banco ruim” que detenha as carteiras de crédito acusadas de usura. O objetivo é separar ativos com risco de litígio dos ativos de cartão.
Contexto e histórico
Fundada a partir do desmembramento do Banco Popular, a WiZink foi adquirida pela Citi em 2014, vendida posteriormente ao grupo Värde, que passou a controlar a empresa plenamente após a aquisição do Popular pelo Santander. Desde então, houve tentativas de desinvestimento, incluindo planos de oferta pública e venda a fundos.
Em 2022, a empresa passou por uma reestruturação de passivos com credores, levando à sua participação acionária revertida parcialmente a um grupo de bonistas. O Supremo,_em decisões recentes, considerou alguns empréstimos como usurários, aumentando a pressão regulatória e os custos com litígios.
Ponto de atenção e situação atual
A proposta de dividir o negócio surge em meio a dúvidas regulatórias sobre créditos ao consumo, com um anteprojeto de lei que pode impor limites aos juros. Unicaja emergiu como possível compradora, tendo contratado PwC, EY e Uría Menéndez como assessores.
A transação ainda depende de aprovação interna na Unicaja e de avaliação de riscos por parte de executivos da WiZink. Caso a compra pela Unicaja se concretize apenas a parte de cartões, o banco “ruim” manteria as carteiras de empréstimos problemáticas.
Desafios financeiros e operacionais
WiZink registrou prejuízo de 52,5 milhões de euros em 2025, comparado a 22,5 milhões em 2024, com receita em queda e despesas em alta. A empresa projeta retorno à rentabilidade apenas em 2029, conforme seu plano estratégico reorientado para o crédito corporativo.
A estrutura proposta envolve ainda depósitos com rentabilidade de 2,3% ao ano por 18 meses, além de explorar o negócio em Portugal. Comentários de Unicaja e WiZink não foram divulgados.
Situação da Unicaja
A Unicaja, resultante da fusão com Liberbank, vive um momento de governança mais estável sob Isidro Rubiales e José Sevilla. O banco tem mantido foco em utilizar seu capital excedente para negócios como crédito, gestão de ativos e consumo, evitando grandes fusões e priorizando aquisições menores.
No âmbito de resultados, a Unicaja mostrou melhora financeira: lucro de 632 milhões de euros em 2025, com aumento no primeiro trimestre de 2026. A instituição também elevou o payout e aprovou remunerações adicionais aos acionistas.
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