- Conectividade: mesmo com choques geopolíticos, a mobilidade e a conexão com o mundo permanecem atraentes, especialmente entre a população jovem de classe média na Ásia.
- Educação sensorial: marcas passaram a usar atomizadores para destacar aromas dos drinks, ajudando compradores e viajantes a entender botânicos e variações.
- Sabores leves e com menos açúcar: tendência de bebidas mais leves e com menos açúcar, com destaque para espumantes que valorizam frescor e equilíbrio.
- Otimização por IA em vez de integração: especialistas destacam que é preciso repensar modelos de negócio com IA, indo além da mera otimização e visando transformação.
- Engajamento pré-viagem: a relevância e a curadoria de produtos antes da viagem ganham importância, com estudos apontando que muitos viajantes planejam compras com antecedência.
O Tax Free World Association (TFWA) realizou sua conferência e exposição de varejo de viagens por quatro dias em Singapura, nesta semana. A cobertura trazida pela jornalista Jessica Mason aponta desenvolvimentos, desafios e tendências de bebidas que moldam o canal duty free em 2026. O evento reuniu fabricantes, varejistas e operadores do setor.
O objetivo central foi discutir como manter a conversão de vendas em meio à retomada após a pandemia. Fontes do mercado ressaltaram a importância de expandir operações globais e atuar com o segmento de luxo, sempre buscando inovações relevantes para o varejo de viagens. As falas destacaram ainda a evolução da relação entre marcas, lojas e operadores.
O encontro ocorreu em Singapura, com participação de executivos e especialistas que apresentaram diferentes perspectivas sobre o mercado de GTR (global travel retail). As discussões buscaram entender como atrair viajantes, otimizar experiências de compra e adaptar ofertas a públicos diversificados.
Conectividade
Apesar de choques geopolíticos, a busca por mobilidade permanece. A classe média jovem asiática cresce, mantendo o apetite por viagens. Analistas destacaram que a globalização continua presente, mesmo com mudanças estruturais no cenário mundial, mantendo a conectividade como motor do turismo.
Kishore Mahbubani, ex-diplomata de Singapura, ressaltou que a demanda por explorar o mundo persiste mesmo diante de crises. O comentário enfatiza que a capacidade de viajar continua a ser um objetivo central mesmo em tempos desafiadores.
Educação sensorial
A exposição indicou uma tendência de marketing sensorial, com marcas explorando aromas no estande por meio de atomizadores. A prática visa atingir não consumidores, compradores de presentes e interessados em conhecer botânicos e expressões das bebidas. A abordagem privilegia lembranças de destinos.
Janek Kalvi, CEO da Liviko, destacou que bebidas são experiências multisensoriais. Ele afirmou que os aromas ajudam a estimular a curiosidade dos viajantes e reforçam a ideia de viagem como experiência.
Sabores leves, com menos açúcar
Observa-se preferência por rótulos leves e com baixa adição de açúcar, acompanhando o movimento de bem-estar. Roberta Picco, gerente regional da Herita Marzotto Wine Estates, indicou que há busca por espumos leves entre consumidores chineses e asiáticos, em oposição a vinhos encorpados.
Jean-Christian de la Chevalerie, diretor de operações internacionais da Laurent-Perrier, comentou que o público busca bebidas com menor teor de açúcar. Ele destacou o Ultra Brut, que preserva o sabor do champanhe sem dosagem, fortalecendo a presença da marca em duty free.
Otimização pela IA
Especialistas apontaram a necessidade de repensar modelos de negócio com o uso de IA. Hyunjin Kim, professora da INSEAD, discutiu que as empresas devem abandonar simples esforços de otimização e avaliar novas formas de operar. A IA pode redesenhar capacidades tecnológicas, interação com clientes e estruturas corporativas.
Kim alertou que conversas substituem buscas e que agentes passam a substituir interfaces tradicionais. Segundo a pesquisadora, a IA oferece liberdade para imaginar novos modelos de negócio desde o zero.
Engajamento pré-viagem
O estudo encomendado pela TFWA, com apoio da Oliver Wyman, ressaltou a relevância do planejamento de compra antes da viagem. Waldemar Jap, sócio da Oliver Wyman, afirmou que a recuperação virá pela conversão, mix e relevância de ofertas, não apenas pelo volume de passageiros.
O estudo apontou que grandes viajantes já planejam compras duty free com antecedência. Jap recomendou ações de pré-encomenda, descobertas de produtos personalizadas e ofertas facilitadas para retirada, adaptadas a culturas locais.
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