- No São Paulo Innovation Week, Marcelo Batistela (BASF) e Marcos Jank (Insper) discutem como disputas geopolíticas e a transição energética redesenham o agronegócio no Brasil.
- Jank afirma que o mundo está mais conflitivo, com a guerra na Ucrânia, conflitos no Oriente Médio e tensão entre Estados Unidos e China, exigindo rápida adaptação do setor.
- Segundo ele, o Brasil pode explorar uma brecha estratégica: o agronegócio deixa de ser apenas exportador de commodities para ganhar influência geopolítica.
- As commodities viraram centro das disputas globais, e o setor brasileiro enfrenta dependência externa de fertilizantes, com o problema sendo mais geopolítico do que de escassez de recursos.
- Panelistas destacam inovações na agricultura tropical, potencial de 25% do PIB brasileiro e oportunidades na virada energética, incluindo agricultura digital, defensivos concentrados e maior integração de cadeias com biocombustíveis e proteínas vegetais.
O último dia do São Paulo Innovation Week contou com um painel sobre os desafios do agronegócio. Participaram Marcelo Batistela, da BASF, e Marcos Jank, do Insper. O foco foi entender como disputas geopolíticas e mudanças energéticas redesenham o mapa do setor no Brasil.
Jank abriu o debate destacando que a globalização não promoveu um mundo mais aberto, citando guerras na Ucrânia e tensões entre EUA e China. Segundo ele, o cenário atual exige adaptação rápida do agronegócio para enfrentar esse novo contexto.
Batistela rebateu: a commodity deixou de ser apenas exportação e passou a ocupar posição estratégica nas relações internacionais. Ele enfatizou que o Brasil tem aproveitado a combinação de recursos naturais com inovação para sustentar o crescimento do setor.
O papel estratégico do agronegócio brasileiro
O especialista alerta que insumos viraram alvo de disputas geopolíticas. Jank aponta dependência externa de fertilizantes como uma vulnerabilidade do setor brasileiro, cuja origem é, segundo ele, mais geopolítica que física.
Jank criticou políticas de tarifas dos EUA, lembrando o peso de medidas que afetam o comércio agrícola. O painel ressaltou que o Brasil tem integrado recursos naturais com inovação tecnológica, mantendo o agronegócio entre as principais engrenagens da economia.
Caminhos e oportunidades
Batistela destacou que o agro brasileiro já soma aproximadamente 25% do PIB e tem potencial para ampliar a produção com menos insumos, preservando solos. O Brasil também se posiciona como protagonista energético, com petróleo e fontes renováveis.
Os palestrantes apontaram frentes para ampliar o valor agregado: verticalização de cadeias com biocombustíveis e proteínas vegetais, além de alinhar-se a regulações internacionais e explorar novos modelos de negócio mais integrados.
Batistela citou avanços tecnológicos na porteira, como agricultura digital, aplicação localizada de defensivos e manejo eficiente de insumos. A pauta inclui ampliar a inovação e manter a produtividade sustentável.
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