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É possível reciclar figurinhas do álbum da Copa? Empresas ajudam

Empresas reciclam liner de figurinhas da Copa 2026 para produzir papel cartão e papel toalha, reduzindo resíduos e fortalecendo a economia circular

Empresas trabalham para reduzir o impacto dos pacotinhos e dos liners, papel com silicone que cobre o verso das figurinhas (BRUNO FAHY / BELGA MAG / Belga / AFP/Getty Images)
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  • A Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, ampliou o interesse por completar álbuns de figurinhas; as primeiras semanas já mobilizaram milhões de pacotes vendidos no Brasil.
  • Dois resíduos surgem na abertura dos pacotes: o envelope multicamadas e o liner, o verso siliconizado das figurinhas, que não vai para reciclagem tradicional.
  • Hoje não há um sistema público amplo de reciclagem de envelopes no Brasil; o liner é o principal desafio por não se separar nas etapas comuns de reciclagem de papel.
  • A Polpel e a Avery Dennison formalizaram parceria para reciclar liners durante a Copa de 2026, com a tecnologia da Polpel separando celulose do silicone e a matriz resultante virando papel cartão na MD Papéis.
  • A campanha AD Circular, ligada à Avery Dennison, transforma resíduos de liner em novos produtos (como papel toalha), promovendo economia circular e redução de lixo.

A Copa do Mundo de 2026 já começou a impactar o bolso dos brasileiros. Desde 1º de maio, os álbuns de figurinhas da Panini chegaram a bancas, livrarias, supermercados e lotéricas, gerando expectativa de consumo e, com ele, resíduos.

Entre 30 de abril e 6 de maio, primeira semana de venda, o iFood comercializou mais de 563 mil pacotes de figurinhas e 7 mil álbuns, dados da plataforma. Em 2022, a mesma plataforma vendeu 252 mil itens no mundial anterior.

A competição, que ocorre de 11 de junho a 19 de julho, leva 48 seleções aos Estados Unidos, Canadá e México. Com mais jogadores, mais páginas do álbum e, claro, mais resíduos gerados pela embalagem e pelo liner.

O que torna o tema mais complexo é o destino do resíduo. O envelope multicamada pode não ser reciclado de forma eficiente, enquanto o liner — o verso siliconado das figurinhas — é o principal vilão, pois não se encaixa na reciclagem convencional.

O liner e a solução de reciclagem

Existe, porém, uma cadeia que começa a ganhar corpo. Em 2022, Sérgio Talocchi, gerente de sustentabilidade da Natura, mobilizou comunidades para recolher liners e encaminhá-los à Polpel, empresa especializada no tratamento desse material.

  • A Polpel atua na América Latina com tecnologia para separar celulose do silicone, tornando a celulose reciclável para fabricantes de papel.
  • Para as figurinhas da Copa 2026, o liner reciclado vai para a MD Papéis, que usa o material na produção de papel cartão.
  • A Avery Dennison participa com a campanha GoleADa, vinculada ao programa AD Circular, que transforma resíduos de liner em novos produtos como papel toalha.

A iniciativa recebe apoio de executivos da área de sustentabilidade, que destacam a importância de engajar pessoas e organizações na logística reversa.

O caminho até aqui e o que ainda falta

Em 2023, a campanha resultou em 244,5 kg de liners coletados, o equivalente a quase 1 milhão de versos de figurinhas. O AD Circular já processou mais de 6 mil toneladas de resíduos de liner desde o início.

Para ampliar o alcance, a campanha recomenda a criação de pontos de coleta em empresas, escolas, condomínios e cooperativas, com encaminhamento à Polpel. A ideia é reduzir o envio de liners a aterros sanitários.

O início da Copa de 2026 reforça o desafio de reciclar o desperdício gerado pelos pacotinhos. A pergunta que permanece é se o Brasil conseguirá sustentar essa logística reversa em escala durante o torneio.

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