- Pedro López-Quesada, presidente do Citi para a Espanha, afirma que a Europa tem cerca de 30 trilhões de euros em poupança e pode se tornar motor de crescimento com verdadeira integração do mercado de capitais.
- A liquidação em um dia (T+1) é vista como oportunidade histórica para modernizar e harmonizar a infraestrutura dos mercados europeus.
- O Citi destaca que o mercado único europeu precisa de integração para competir com os Estados Unidos, citando a fragmentação atual de infraestruturas, câmaras de compensação e regras entre países.
- Reformas prioritárias: reduzir o número de infraestruturas, harmonizar marcos legais e fiscais, e avançar para supervisão mais centralizada para reduzir divergências regulatórias.
- Tecnologia tem papel central, com tokenização, infraestrutura de registro distribuído e IA para acelerar a harmonização; o maior risco é a perda de relevância europeia, e a maior oportunidade é transformar o seu enorme ahorro em crescimento econômico.
Pedro López-Quesada, presidente de Citi para Espanha, defende que a União Europeia precisa de um mercado de capitais único para competir com os Estados Unidos. Em entrevista, ele afirma que a UE tem potencial para transformar 30 trilhões de euros de poupança em motor de crescimento, desde que avance rumo a uma integração real. O executivo considera a liquidação em um dia uma oportunidade histórica para modernizar a infraestrutura de mercados.
O banco Citi é apresentado pelo executivo como referência em investimento na Europa, destacando histórico de liderar saídas à bolsa de empresas europeias nos últimos anos. Em Espanha, o grupo participou do lançamento de HBX, matriz de Hotelbeds, e manteve posição de destaque no mercado local de banca de investimento no primeiro trimestre de 2026.
Fragmentação de mercados fragiliza a competitividade
López-Quesada aponta que a infraestrutura europeia permanece fragmentada, com mais de 30 depositários centrais, 13 câmaras de compensação e quase 30 jurisdições com regras diferentes. Ele afirma que o sistema é robusto, porém excessivamente complexo para um mercado que busca escalabilidade global.
Essa fragmentação eleva custos e reduz a fluidez da cadeia de valor, desde emissão até liquidação. Segundo o executivo, liquidar operações na Europa é mais caro que nos EUA, e a custódia varia de país para país, gerando fricção, menor liquidez e menor atratividade para investidores globais.
Reformas prioritárias para atrair emissões
Entre as reformas citadas, o executivo destaca reduzir o número de infraestruturas, com foco em centrais de valores, para criar hubs mais eficientes. Seria desejável reduzir de dezenas para um dígito o universo de depositários. Também é necessária harmonização de marcos legais e operacionais, além de uma supervisão mais centralizada para igualar condições entre os países.
López-Quesada ainda aponta a viabilidade de um regime europeu como forma prática de alinhar legislação entre 27 países, facilitando a elegibilidade de títulos emitidos em toda a UE. O objetivo é beneficiar emissores e investidores europeus, fortalecendo o crescimento interno.
Tecnologia como acelerador, não substituto
A tecnologia é vista como catalisador para a harmonização real do mercado, não substituto de reformas estruturais. A tokenização, a infraestrutura de registro distribuído e a inteligência artificial podem reduzir custos, melhorar a interoperabilidade e simplificar processos regulatórios.
Quanto à liquididação em T+1, prevista para 2027, o executivo afirma que a mudança moderniza sistemas, aumenta a digitalização e facilita a comparação com mercados já em prática, como EUA e Canadá. Para investidores globais, a sincronização reduz fricções e riscos.
Risco e oportunidade para a Europa
O maior risco é a perda de relevância estrutural se não houver integração. O mercado de capitais europeu precisa financiar grandes transformações — energética, digital e industrial — e depende de um ecossistema estável e integrado. Sem avançar, capital e emissões podem migrar para mercados mais ágeis.
Entre as oportunidades, López-Quesada destaca o enorme potencial de converter o poupança europeu em estímulo de crescimento. Com um mercado mais integrado e profundo, o capital poderia sustentar a expansão de empresas europeias e fortalecer a autonomia financeira do continente.
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