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Experiência: saí do Reino Unido por vias clandestinas

Refugiado iraquiano relata fuga em caixa de caminhão, 12 horas de terror no tráfico de pessoas rumo à Europa

‘I want to live a safe, legal life.’ The author in Italy.
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  • Emigrante iraquiano, Soran, saiu de Erbil em 2011 aos 19 anos para buscar refúgio no Reino Unido, após ameaças de morte.
  • Chegou em outubro de 2011, pediu asilo e enfrentou uma recusa meses depois, passando mais de uma década em alojamentos do Home Office e sob fiscalização constante.
  • Durante esse período, foi obrigado a se apresentar com frequência aos escritórios de imigração, chegando a ter de reportar semanalmente; não podia trabalhar nem abrir conta bancária.
  • Em janeiro deste ano, tentou deixar o Reino Unido conforme orientação de contrabandistas, ficando cerca de 12 horas dentro de uma caixa fechada em uma carreta até chegar a Calais.
  • Hoje está na Europa continental, sem permissão de trabalho, buscando regularizar a situação na Itália e sonha em voltar ao Reino Unido para abrir um cabeleireiro e ter uma vida estável.

Aos 19 anos, Soran deixou a região de Erbil, no norte do Iraque, temendo por sua vida devido a ameaças de pessoas influentes. Em 2011, buscou proteção no Reino Unido, acreditando que ali seria um refúgio seguro. Chegou ao país em outubro daquele ano, após viajar de caminhão pela Europa.

Ao chegar, Soran pediu asilo e viu a expectativa de uma vida pacífica. O governo britânico, porém, recusou o pedido meses depois. Iniciou-se uma longa batalha jurídica e, ao longo de mais de uma década, morou em alojamentos do Home Office em várias regiões do país.

A rotina incluiu aprender ofícios como barbeiro, mas o cotidiano era marcado por visitas constantes a centros de atendimento, com receio de ser detido ou deportado. O acompanhamento era mensal, depois semanal, sob vigilância constante e restrições como a impossibilidade de trabalhar.

Em 2024, diante de ameaça de detenção ou deportação, decidiu arriscar uma fuga para a Europa continental. Um acordo com traficantes permitiu que ele entrasse em um caminhão, escondido em uma caixa onde ficou aproximadamente 12 horas até chegar a Calais.

Na França, o motorista autorizou a passagem, e Soran seguiu a pé até a vila próxima para tentar seguir rumo a Paris. Depois pegou trem para a Itália, buscando regularizar a permanência e obter autorizações de trabalho. A região onde está hoje tem enfrentado ataques com drones na sequência de conflitos regionais, elevando o risco de retorno.

Soran relata que o episódio deixou marcas físicas e psicológicas, incluindo hipotermia severa. Sem permissão de trabalho, enfrenta dificuldades para sobreviver: ainda não obteve visto de trabalho nem autorização para abrir um negócio no setor de serviços.

O desejo central é retornar ao Reino Unido a fim de reconstruir a vida de forma legal, incluindo abrir uma barbearia, pagar impostos e viajar novamente no país. A experiência ilustra os perigos da migração irregular e as tensões entre a busca por proteção e as políticas migratórias.

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