- A União Europeia avança com o Regulamento para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que afeta o cacau, com foco na Costa do Marfim.
- A Costa do Marfim é o maior produtor mundial e responde por cerca de um terço do cacau global, exportando dois terços para a União Europeia.
- Dados da organização Trase mostram que menos da metade do cacau marfinense exportado tem origem identificável até as cooperativas; o restante circula por intermediários, dificultando fiscalização ambiental e combate ao trabalho infantil.
- A nova regra exige que importadores atestem que o cacau não procede de áreas desflorestadas, elevando custos e complexidade operacional para os exportadores.
- Existe preocupação sobre impactos sociais, especialmente para agricultores mais vulneráveis, com críticas de países compradores que pedem adiamentos do cronograma.
O Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) acelera discussões sobre a cadeia global de cacau, com foco na Costa do Marfim. A medida exige que importadores da UE atestem que o cacau não vem de áreas desmatadas. O objetivo é frear a degradação florestal.
Como maior produtora mundial, a Costa do Marfim responde por cerca de um terço do cacau global, com a UE sendo destino de dois terços de suas exportações. O desafio é rastrear a origem do fruto ao longo de toda a cadeia. A fiscalização fica prejudicada pela rede de intermediários.
Dados da organização Trase indicam que menos da metade do cacau exportado tem origem identificável até as cooperativas de cultivo. O restante circula por canais complexos, dificultando a verificação ambiental e o combate a práticas como o trabalho infantil.
Desafios para a Costa do Marfim
- A implementação do EUDR pode exigir ajustes caros para produtores e intermediários, aumentando custos logísticos.
- Autoridades locais trabalham para criar um mercado digital que valide a trajetória do cacau, mas a transição ainda enfrenta entraves técnicos.
- Países compradores insistem na rastreabilidade como condição para manter as exportações, o que pode atrasar negociações.
O eixo diplomático envolve tensões entre a UE e exportadores como Brasil, EUA e Indonésia, que apontam complexidade operacional e custos elevados. Quedas ou adiamentos no cronograma da UE já foram anunciados, refletindo pressões internacionais.
No plano interno, há preocupação com impactos sociais. Agricultores mais vulneráveis podem sentir o peso das reformas, seja pela necessidade de adaptação tecnológica ou por custos adicionais na cadeia de suprimento. A resposta envolve políticas públicas e parcerias com o setor privado.
A Costa do Marfim lidera o mercado mundial do cacau e é importante player da África Ocidental, com fronteiras que incluem Gana, Libéria, Mali e Burkina Faso. O país também envolve-se em atividades como café, óleo de palma e castanha de caju.
A história recente aponta desmatamento significativo no país, impulsionado por expansão agroindustrial. Embora haja redução no ritmo, especialistas atribuem isso mais à escassez de florestas remanescentes do que a eficácia de políticas de preservação.
Com o país enfrentando questões ambientais e econômicas, a transição para práticas mais sustentáveis permanece um ponto crítico. As reformas são acompanhadas de debates sobre impactos no emprego rural e na renda de famílias que dependem do cacau.
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