- A Geada Negra de 1975 dizimou cerca de 60% dos cafezais do Paraná e provocou mudanças econômicas e de empregos no estado.
- Hoje, o Paraná tem pouco mais de 26 mil hectares de cafezais e produz menos de 1 milhão de sacas por ano, cerca de 4% da produção de Minas Gerais.
- A retomada da cafeicultura contou com apoio científico do IDR‑Paraná, com melhoramento genético e técnicas de pós‑colheita para elevar qualidade e exportação.
- Atualmente, até 30% do volume produzido é classificado como café especial, com certificações de Indicação Geográfica para Norte Pioneiro (2012) e Serra de Apucarana (início deste ano).
- A Rota do Café, criada em 2009, conecta fazendas ao turismo rural, enquanto uma linha de cafés especiais Paraná foi lançada pela Coffee++ para homenagear os produtores locais.
O Paraná investe na qualidade para resgatar a cafeicultura devastada pela Geada Negra de 1975. Mesmo sem competir em quantidade, o estado vem ganhando relevância no cenário nacional com grãos de maior qualidade e foco em cafés especiais.
Quase metade da produção paranaense foi dizimada na noite de 17 de julho de 1975, quando a Geada Negra atingiu o estado. Hoje, a cafeicultura retorna aos poucos, em ritmo mais lento, mas com ênfase na diferenciação e na certificação de origem.
A crise histórica mudou o mapa do setor. A queda na produção levou à diversificação agrícola e ao fortalecimento de outras cadeias, especialmente soja, milho e proteína animal. Pesquisas indicam que Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso ganharam participação nacional.
A retomada no Paraná envolveu ciência e inovação. O IDR-Paraná desenvolve programas de melhoramento genético e estratégias de adensamento para enfrentar riscos climáticos, além de orientar na pós-colheita para elevar qualidade e competitividade.
Hoje, o Paraná soma pouco mais de 26 mil hectares de cafezais e produz abaixo de 1 milhão de sacas por ano, representando cerca de 4% da produção de Minas Gerais. Mesmo assim, o segmento de cafés especiais já atinge estimativas próximas a 30% do volume atual.
A Indicação Geográfica (IG) marca o caminho da qualidade no estado. O café da região Norte Pioneiro foi o primeiro IG paranaense, em 2012, com foco no terroir e na origem. O selo ajuda a estruturar produtos com reputação territorial consolidada.
O Norte Pioneiro e Mandaguari também conquistaram a Denominação de Origem (DO), elevando o nível de controle sobre as características do grão. O terroir local, com solos, clima e tradição, influencia notas de caramelo e acidez menor na bebida.
A Serra de Apucarana recebeu, no início deste ano, a 24ª IG do estado, ampliando o mapa de excelência. Cerca de 300 cafeicultores em três municípios integram a certificação, fortalecendo a imagem paranaense no mercado.
Além da produção, o estado investe em turismo rural ligado ao café. A Rota do Café, criada em 2009, conecta Londrina, Ibiporã e Ribeirão Claro com fazendas e museus que exibem o ciclo produtivo, do pé à xícara.
A parceria entre ciência, produtores e turismo tem impulsionado a atividade. Cooperativas locais vêm consolidando práticas de manejo e qualidade, contribuindo para remuneração superior quando o grão atinge o patamar de especial.
Mercado externo também percebeu o amadurecimento. Marcas de fora do estado lançaram linhas específicas com produtos paranaenses, valorizando o papel histórico do Paraná na cafeicultura nacional e reconhecendo o terroir como diferencial competitivo.
Entre os agentes do setor, destaca-se a visão de que o caminho é manter o investimento em pesquisa, melhoria genética e processos de pós-colheita. Assim, o Paraná busca consolidar a produção de cafés especiais como motor regional.
Entre na conversa da comunidade