- A Caixa renegociou 820 milhões de dívidas por meio do Novo Desenrola Brasil, com descontos de até 90% e condições facilitadas de pagamento.
- A nova etapa do programa começa em 25 de maio, com uso de recursos do FGTS para abatimento de dívidas renegociadas; o uso fica limitado a até 20% do saldo ou ao teto de 1 mil.
- No primeiro trimestre de 2026, a Caixa registrou lucro líquido de 3,5 bilhões, queda de 34,4% ante o mesmo período de 2025, principalmente por aumento das provisões para devedores duvidosos.
- A carteira de crédito total atingiu 1,4 trilhão, com crédito imobiliário de 966,2 bilhões, alta de 30% em relação a 2025 e expansão de 13,9% em 12 meses.
- A inadimplência encerrou março em 3,71%; a Caixa prevê investir 5,9 bilhões em tecnologia em 2026, com avanços na segurança do Caixa Tem e abertura de contas digitais, incluindo 3,4 milhões de contas digitais no total.
O Caixa Econômica Federal renegociou 820 milhões de dívidas por meio do programa Novo Desenrola Brasil, segundo anúncio do presidente Carlos Vieira, feito durante a divulgação do balanço do primeiro trimestre. A oferta prevê descontos de até 90% e condições facilitadas para inadimplentes. A nova etapa abrirá em 25 de maio, com uso de recursos do FGTS para abatimento.
O relatório mostra lucro líquido recorrente de 3,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 34,4% em relação ao mesmo período de 2025. Parte da queda vem do aumento das provisões para devedores duvidosos, que subiram 211,5%, para 6,5 bilhões, após mudanças regulatórias do BC.
A carteira de crédito total atingiu 1,4 trilhão de reais no trimestre. O crédito imobiliário segue como principal segmento, com 966,2 bilhões e alta de 13,9% em 12 meses. Em relação ao primeiro trimestre de 2025, o crescimento do crédito habitacional foi de 30%, impulsionado pela atuação da instituição no setor.
A Caixa atribuiu esse desempenho a uma negociação com o Banco Central que liberou depósitos compulsórios, permitindo aporte adicional de 40 bilhões ao SBPE. A instituição também aposta na expansão do Minha Casa Minha Vida para a classe média e no novo programa Reforma Casa Brasil, com reconhecimento facial para contratação 100% digital.
Inadimplência e inovação
A inadimplência total encerrou março em 3,71%. A carteira rural permanece como ponto de atenção em 2026. Vieira informou ainda perdas de cerca de 20 milhões de reais no aplicativo Caixa Tem em 2025, decorrentes de fraudes, com foco em fortalecer tecnologia. A previsão de investimento em tecnologia para 2026 é de 5,9 bilhões de reais.
Houve avanço de 22,5% nas implementações tecnológicas, com quase zero de ataques ao Caixa Tem. A modernização inclui investimento total de 5,6 bilhões em tecnologia para 2026 e melhoria na entrada de novos clientes, com baixa taxa de falha—apenas quatro a cada mil tentativas não são concluídas. A automação já gerou economia de 45,8 mil horas de trabalho.
O conjunto das mudanças digitais também atrai jovens. O banco abriu 3,4 milhões de contas digitais, sendo 1,6 milhão no primeiro trimestre de 2026. Entre essas, 49% das novas contas são da Geração Z, impulsionadas por ações de marketing que associam a marca a ligas de basquete.
Desenrola Fies
O Desenrola Fies, em parceria com o Banco do Brasil, teve adesão iniciada em 13 de maio. No primeiro dia, foram negociadas 1,34 bilhão de reais em dívidas, por meio de 22 mil acordos e 87 mil simulações. O valor efetivamente renegociado, já com abatimentos, atingiu cerca de 270 milhões.
O programa visa reduzir a inadimplência e regularizar contratos de mais de 1 milhão de brasileiros com financiamento estudantil. O Fies atende estudantes com contratos ativos até 2017 e que estavam em amortização em 4 de maio de 2026. O estoque de dívidas renegociáveis no Brasil chega a cerca de 83,1 bilhões de reais, segundo o Ministério da Educação.
As condições incluem descontos que podem chegar a 99%, conforme a situação financeira e o tempo de inadimplência. Para atrasos superiores a 360 dias, cadastros atualizados no CadÚnico podem obter abatimento de 92%. Em casos com atraso superior a 90 dias, parcelamento pode chegar a 150 meses sem juros ou multas.
Para contratos com atraso entre 90 e 360 dias, ainda há opções de descontos e pagamento à vista com redução de encargos. Todo o processo é possível de ser feito via apps da Caixa e do Banco do Brasil, com adesão até 31 de dezembro de 2026.
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