- Nicolas Bickel, diretor de investimentos da Edmond de Rothschild Banca Privada, mantém sobreponderação em renda variável mesmo com inflação mais alta e energia cara devido ao conflito no Irã.
- O diretor aposta que o Estreito de Ormuz deverá se reabrir, com impacto limitado a longo prazo, e estima duas ou três altas de juros na Europa, menos provável nos EUA.
- Mesmo com inflação elevada, algumas empresas devem registrar grandes benefícios, especialmente no setor de energia; a tecnologia e a indústria também devem apresentar oportunidades.
- Historicamente, guerras provocam correção média de cerca de nove por cento, seguida de recuperação em aproximadamente três meses; na situação atual, a recuperação ocorreu em menos de dois meses após queda de 8,7%.
- A carteira é ajustada para setores mais defensivos no curto prazo, evitando turismo e lazer, e guia-se para tecnologia, indústria e infraestrutura no médio prazo, com utilities ganhando atratividade pela IA.
Nicolas Bickel, diretor de investimentos da Edmond de Rothschild Banca Privada, mantém a visão de recuperação do mercado diante do conflito entre Israel e Irã. Em entrevista, ele afirma que os mercados já precificam a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz.
O executivo reconhece que a inflação tende a subir com o aumento do custo de energia, mas não espera uma escalada de altas de juros. Mantém a sobreponderação na renda variável, mesmo com maior volatilidade gerada pelo cenário geopolítico.
Bickel destaca que, apesar dos choques, há empresas capazes de manter lucros robustos. Avisa que o setor de energia pode se beneficiar, e que a visão de política monetária não deverá exigir rebaixamento de juros nos próximos meses.
O analista projeta, entre os impactos, uma elevação gradual do preço da energia e uma desaceleração moderada do crescimento econômico nos EUA e na Europa. Mesmo assim, o mercado tende a recuperar o nível anterior após choques, segundo o cenário base apresentado.
Quanto ao timing da guerra, afirma que a duração prolongada pode ampliar riscos, mas aponta que a recuperação depende de fatores como a reabertura do estreito e o papel de atores internacionais na estabilização do fornecimento de energia.
Em termos de estratégia, a Edmond de Rothschild está ajustando a carteira para setores defensivos no curto prazo, reduzindo exposição a companhias de lazer e viagens. Posteriormente, a preferência recai sobre tecnologia, indústria e infraestrutura, incluindo serviços públicos ligados à IA e à demanda por centros de dados.
Bickel reforça que, mesmo com maior inflação, o espaço para rentabilidade corporativa persiste. A aposta permanece na renda variável, com cautela quanto à intensidade da elevação de juros, sobretudo nos EUA, onde a estabilização monetária é vista com algum grau de moderationismo.
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