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Portugal depende de trabalhadores estrangeiros, aponta estudo

Imigrantes sustentam a economia portuguesa, com contribuições à Previdência Social de 4,2 bilhões de euros; sem eles turismo e agricultura entrariam em crise

Cartaz do partido Chega, de extrema direita, em Celorico da Beira, em Portugal. Sigla de extrema direita ficou em segundo nas eleições de 2026.
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  • Portugal tem cerca de 1,5 milhão de imigrantes, aproximadamente 14% da população, e enfrenta onda de xenofobia impulsionada por partidos de extrema direita.
  • Mesmo com o discurso anti-imigração, trabalhadores estrangeiros são essenciais: não recebem mais benefícios sociais do que os portugueses e mantêm setores como turismo e agricultura funcionando.
  • No ano passado, 1,1 milhão de estrangeiros contribuíram para a Previdência Social, alta de 447% em uma década; os pagamentos chegaram a quase 4,2 bilhões de euros, 14% do total.
  • O principal grupo é brasileiro, empregado principalmente em serviços e comércio; sem mão de obra estrangeira, empregos, hotéis e colheita de frutas sofreriam interrupções significativas.
  • Especialistas destacam a necessidade de uma política de imigração de longo prazo; sem ela, há risco de aumento de tensões sociais e de custos para a Previdência, que já depende dessas contribuições para sustentar aposentadorias e saúde.

O país enfrenta uma dualidade: demanda econômica e rejeição social. Em Portugal, cerca de 1,5 milhão de estrangeiros vivem no país, a maioria trabalhando em setores de serviços e agricultura. A presença migrante é considerada essencial para manter a atividade econômica, segundo especialistas.

Especialistas destacam que o sistema social depende das contribuições dos trabalhadores estrangeiros. Em 2024, aproximadamente 1,1 milhão de imigrantes contribuíram para a Previdência Social, com pagamentos chegando a 4,2 bilhões de euros, representando 14% do total das contribuições. O aumento é expressivo em uma década.

A maior parte dos imigrantes brasileiros atua no comércio, serviços de alimentação e transporte. Estudo da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), em parceria com o Observatório das Migrações, aponta que a força de trabalho estrangeira sustenta setores-chave da economia.

João Neves, economista, ressalta que a ausência de mão de obra externa causaria impactos significativos. Ele cita o turismo, que responde por uma parcela considerável do PIB, e a agricultura, que depende de trabalhadores sazonais para colheitas e exportação.

Para muitos imigrantes, a mudança de país representa condição de vida mais estável. Verônica Santos, que chegou há três meses a Leiria, vive a realidade de quem trabalha no setor de serviços e reconhece ganhos por comparação a oportunidades no Brasil, além de destacar questões de segurança pública.

Entretanto, o ambiente social em Portugal tem registrado episódios de xenofobia. Observadores afirmam que a retórica de partidos de extrema direita contribuiu para a construção de estereótipos negativos sobre estrangeiros, apesar de a economia não conseguir funcionar sem eles.

Estrutura e políticas de imigração

Analistas apontam falhas em políticas de integração criadas nos anos anteriores. A falta de um arcabouço de longo prazo dificulta a adaptação de imigrantes e pode ampliar tensões sociais, segundo especialistas consultados. Pesquisas indicam que regras atuais não garantem retorno de contribuições para quem retorna aos seus países de origem, mantidas pela Previdência Social portuguesa.

A visão de especialistas é compartilhada por docentes da área de economia, que defendem medidas consistentes de imigração de longo prazo. A ideia é equilibrar a necessidade econômica com estratégias de inclusão social, sem recorrer a medidas restritivas que agravem vulnerabilidades.

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