- O aumento de juros e de custos de energia, agravados pela guerra no Oriente Médio, ameaça empresas financiadas por private equity, incluindo Pronovias, Goiko e Amara NZero.
- O setor investiu mais de 43 bilhões de euros em Espanha entre 2020 e 2025; riscos aumentam se o ambiente macroeconômico deteriorar dívidas já alavancadas.
- Juros de dívida a longo prazo subiram; custos de refinanciamento podem chegar a sete a nove por cento, pressionando caixa e rentabilidade das empresas.
- Pronovias ficou sob controle de credores após a saída de BC Partners; há possibilidade de venda a Cap Capital, em meio a fatores como pandemia e estratégias de expansão mal medidas.
- Goiko passou a ser controlada pela Capza, com refinanciamento envolvendo fundos e bancos; Amara NZero busca recapitalização com Cinven e instituições financeiras.
O aperto de custos e as elevadas taxas de juros estão desafiando empresas apoiadas por private equity no cenário espanhol, segundo especialistas e operadores do setor. A alta do custo da dívida, somada ao encarecimento do gás e do petróleo, eleva o risco de reestruturações com credores no controle.
Analistas apontam que o financiamento com dívida barato adquirido durante a pandemia precisa ser reestruturado, o que pressiona o fluxo de caixa. Enquanto muitas operações terminaram bem, casos como Pronovias, Goiko e Amara NZero evidenciam vulnerabilidades em setores de consumo e serviços.
O contexto macroeconômico, com aumento de juros na Europa e nos EUA, tende a restringir novas operações de aquisição. O mercado de private equity já mostra sinais de maior prudência na hora de refinanciar dívida, diante de cenários inflacionários e geopolíticos.
Pronovias
Pronovias está sob controle de credores após a saída de Bain Capital e MV Credit, com BC Partners tendo entregue as chaves em meio a tensões geradas pela pandemia. A empresa catalã enfrentou perdas por cancelamento de casamentos e estratégias de expansão mal ajustadas.
Atualmente, Cap Capital surge como possível comprador, após recomendações de consultorias envolvidas no processo de reestruturação. O caso exemplifica como múltiplos fatores macro e operacionais podem impedir a recuperação rápida de uma marca de referência no setor.
Especialistas destacam que a concentração de dívidas em prazos longos e a necessidade de refinanciamento em condições mais onerosas intensificam a pressão sobre o caixa. A solução envolve renegociação com credores e revisar a estratégia de crescimento.
Goiko
A rede de hamburguerias Goiko, antes controlada por L. Catterton e financiada pela francesa Capza, passou a ser gerida por novos investidores. A transição ocorreu em um contexto de ambições elevadas e de um mercado de consumo cada vez mais competitivo.
Fontes do mercado indicam que a operação, iniciada em meio ao boom de aquisições no setor de alimentação, mostrou resultados positivos, mas enfrentou a expectativa de crescimento superior à realidade na época. A conversão de dívida em participação é um movimento comum em fases de aperto financeiro.
Para analistas, o desafio é manter o equilíbrio entre alavancagem e expansão, evitando impactos na rentabilidade diante de custos de financiamento mais altos. A situação reforça a necessidade de disciplina financeira contínua.
Amara NZero
Amara NZero, controlada pela Cinven, viveu turbulência devido a fatores no setor de energia renovável e a uma desaceleração de demanda. A empresa firmou acordo com bancos e detentores de bônus para uma recapitalização, envolvendo retirada de debêntures e aporte de caixa.
Os credores preparam-se para participação acionária na empresa, caso as negociações avancem. O episódio demonstra como dificuldades setoriais podem agravar problemas de marca adquirida por veículos de private equity com foco em energia.
Especialistas ressaltam que dívidas acima da capacidade de caixa revelam vulnerabilidades reais, sobretudo quando o ajuste operacional não acompanha a reestruturação financeira. O cenário exige monitoramento constante e intervenções precisas para evitar deterioração adicional.
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