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Boom de IA provoca greve iminente e divisões internas na Samsung

Greve de dezoito dias de mais de quarenta e cinco mil trabalhadores pode comprometer até US$ 20 bilhões do lucro da Samsung, evidenciando disputa sobre ganhos do AI

Logomarca na fachada de uma fábrica da Samsung no México (01.jun.2019)
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  • A Samsung enfrenta greve iminente de 18 dias a partir de 21 de maio, com mais de 45.000 trabalhadores, que pode cortar a produção de chips de memória.
  • A empresa oferece bônus, mas pretende pagar aos 27.000 funcionários da memória pelo menos seis vezes mais do que aos 23.000 trabalhadores de chips lógicos e de fundição.
  • O sindicato diz que os trabalhadores que fabricam chips de IA para Tesla e Nvidia, que atuam nos mesmos locais, não devem ficar para trás, apesar das perdas recentes do negócio de fundição.
  • A Reuters apurou transcrições e ouviu mais de dez pessoas envolvidas nas negociações, revelando divisões internas e saídas de funcionários ligadas ao equilíbrio entre divisões da Samsung (memória, LSI e fundição).
  • O JPMorgan estima que a greve pode reduzir o lucro operacional da Samsung entre 21 e 31 trilhões de wons (US$ 14,08 bilhões a US$ 20,79 bilhões) e provocar perdas de vendas de até 4,5 trilhões de wons.

A Samsung Electronics enfrenta uma greve iminente que pode durar 18 dias, com início previsto para 21 de maio. A paralisação envolve mais de 45.000 trabalhadores e pode impactar a produção de memória, peças-chave em data centers de IA, smartphones e laptops. O motivo central é a disputa sobre como distribuir ganhos do boom da inteligência artificial.

O conflito envolve o pagamento de bônus entre as unidades da empresa. A Samsung oferece bônus generosos, mas planeja pagar seis vezes mais aos 27.000 funcionários que trabalham com chips de memória do que aos 23.000 que atuam em design e fabricação de chips lógicos. A tensão aumenta após anos de perdas na divisão de fundição, que atende clientes como Tesla e Nvidia.

As negociações internas mostraram divisões entre as áreas, com relatos de saída de funcionários e debates sobre avaliação de valor da empresa. Investidores estrangeiros acompanham o impasse e o governo sul-coreano tem observado o desdobramento, que pode afetar cadeias de suprimentos globais.

Segundo estimativas do JPMorgan, a greve pode reduzir o lucro operacional da Samsung em 21 trilhões a 31 trilhões de wons (US$ 14,08 a 20,79 bilhões). As perdas de vendas podem ficar em cerca de 4,5 trilhões de wons, aponta a instituição.

A divisão de Soluções para Dispositivos engloba memória, sistema LSI e fundição, cujos resultados têm se mostrado desiguais com o boom da IA. A Samsung lidera o mercado de memória, mas enfrenta dificuldades em outras linhas, refletindo um cenário complexo para o conglomerado.

Especialistas destacam que a reorganização de negócios da Samsung, com uma estratégia de balcão único que integra várias linhas, pode influenciar a avaliação financeira da empresa. A avaliação desigual entre as unidades é citada como fator que alimenta tensões internas.

O debate também envolve a percepção de que a empresa precisa equilibrar ganhos entre áreas distintas, mantendo a competitividade frente a rivais como Micron e TSMC. A crise interna permanece sem resolução até o momento.

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