- A Alliança Saúde e Participações pediu empréstimo de emergência de até R$ 76 milhões, captado pela subsidiária Cura, diante de um caixa com esvaziamento praticamente total.
- O financiamento, assegurado pelo fundo 287 FIP, exige garantia dupla e retorno mínimo de 1,45 vez o valor aportado, mais CDI anual de 12%.
- A empresa é dona do Centro de Diagnósticos Brasil e de cerca de 105 unidades de atendimento em todo o país.
- Há cinco anos, ainda como Alliar, a companhia era um ativo cobiçado por Rede D’Or e Fleury; Nelson Tanure perdeu o controle em 2022, e hoje a Tessai detém maioria.
- O setor de saúde enfrenta aperto de caixa e juros; a Fitch rebaixou a nota de crédito da Alliança, que já viveu mudanças de liderança e passou por aquisições recentes.
A Alliança Saúde e Participações (AALR3), antiga Alliar, recorreu a um empréstimo de emergência de até 76 milhões de reais para evitar a paralisação de operações. O crédito foi captado pela Cura, subsidiária de diagnóstico adquirida pela empresa no ano passado, diante de um “esvaziamento praticamente total” do caixa, segundo comunicado da companhia.
O financiamento foi contratado com o fundo 287 FIP, que determinou retorno mínimo de 1,45 vez o valor aportado, mais juros de CDI + 12% ao ano. Como garantia, houve lastro de bens e a aprovação de um terceiro responsável pela dívida caso a emissora não pague.
Há cinco anos, ainda sob a marca Alliar, a empresa era um ativo cobiçado no setor de saúde, disputado por Rede D’Or e Fleury. Em 2022, Nelson Tanure venceu o processo de aquisição e renomeou a companhia para Alliança Saúde, com a promessa de ampliar a rede de diagnóstico.
Atual gestão enfrentou queda acentuada de valor de mercado. A empresa abriu o capital em 2021; ações já chegaram a quase 35 reais, hoje operando perto de 3,24 reais. O valor de mercado atual fica em cerca de 970 milhões de reais, bem abaixo do investimento de controle.
A estrutura de capital também mudou: o controle recebeu troca de mãos após credores tomarem ações de Tanure para cobrir a dívida da Ligga Telecom. A Tessai, fundo da gestora Geribá, hoje detém 59,84% do capital da Alliança.
Do calote ao socorro
O reforço de caixa ocorre após atraso no pagamento de principal e juros de uma emissão que venceu em 4 de abril, com a Fitch rebaixando a nota de crédito para um patamar próximo da inadimplência. A agência sinalizou que recuperação judicial elevava o risco e não há clareza sobre planos do novo controlador.
Em setembro de 2025, a Alliança possuía 124 milhões de reais em caixa para cobrir 295 milhões de dívidas a vencer e devia 545 milhões de reais no total. O cenário financeiro pessimista levou à reestruturação sob gestão instável, com mudanças executivas frequentes.
O reposicionamento iniciado em 2023, sob a liderança de Tanure, passou pelo nome Alliar para Alliança e por aquisições como o Grupo Meddi, da região Nordeste. Em julho de 2025, a empresa anunciou expansão, mas dez meses depois já falava em manter as operações em funcionamento.
Cenário setorial
O problema não é exclusivo da Alliança. O setor de diagnóstico no Brasil atravessa dificuldade, com empresas que se financiaram com dívida barata e precisam lidar com juros altos. Entre abril e maio, Oncoclínicas e Kora também sinalizaram reestruturação de dívidas.
A Oncoclínicas tem passivos estimados em 4,8 bilhões de reais e recebeu avaliação de rating próximo ao da Alliança, refletindo o desafio de inovação, custos operacionais e reajustes que não acompanham a inflação dos serviços.
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