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Auditor alerta sobre continuidade operacional após prejuízo de R$95,8 mi Marisa

Auditores indicam incerteza de continuidade da Marisa após prejuízo de R$ 95,8 milhões e passivo circulante maior que o ativo em quase meio bilhão

Administração da Marisa argumenta que está implementando ações para reestabelecer o equilíbrio econômico-financeiro. (Foto: Vitor Reis Primo)
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  • A Marisa registrou prejuízo de R$ 95,8 milhões no primeiro trimestre de 2026 e o passivo circulante superou o ativo circulante em cerca de R$ 446 milhões (consolidado) e R$ 441 milhões (individual).
  • O auditor independente BDO RCS emitiu parágrafo de ênfase sobre continuidade operacional, apontando incerteza relevante quanto à capacidade de a empresa manter as operações.
  • O capital de giro permanece negativo, com caixa em R$ 10,6 milhões e patrimônio líquido de R$ 128,8 milhões; houve queda do patrimônio líquido em 43% no trimestre, reflexo do prejuízo acumulado de R$ 2,19 bilhões.
  • A dívida líquida subiu para R$ 336,8 milhões, elevando o múltiplo dívida líquida/EBITDA de 0,8x para 1,3x; a ação fechou em R$ 0,73, queda de 8,75%.
  • A administração aponta ações para reequilibrar as finanças, incluindo ganhos operacionais em EBITDA recorrente (base de lojas) de 60,6% (R$ 20,4 milhões) e redução de despesas administrativas; o auditor cita ainda risco de provisão contábil para contingências tributárias que, se reconhecida, poderia impactar o patrimônio. A loja da Avenida Paulista foi fechada, simbolizando o processo de enxugamento da rede.

A Lojas Marisa encerrou o primeiro trimestre de 2026 com alerta formal de seus auditores independentes sobre a continuidade operacional. O documento destaca incerteza relevante frente ao risco de manter as atividades, diante de prejuízo e fragilidade de caixa.

No período, a empresa registrou prejuízo de R$ 95,8 milhões. O passivo circulante superou o ativo circulante em aproximadamente R$ 446 milhões nas demonstrações consolidadas, configurando pressão sobre o curto prazo.

O relatório aponta que o caixa consolidado caiu de R$ 48 milhões para R$ 10,6 milhões, enquanto o patrimônio líquido recuou para R$ 128,8 milhões. A alavancagem aumentou, com dívida líquida em R$ 336,8 milhões.

Provisão

A BDO afirma que a Marisa deveria constituir provisão para contingências tributárias da controlada indireta M Serviços. Tal ajuste poderia zerar o patrimônio líquido, elevando o risco de superavaliação atual.

A administração sustenta ações para restaurar equilíbrio econômico-financeiro, destacando EBITDA recorrente de R$ 20,4 milhões nas mesmas lojas, com avanço de 60,6%. Despesas administrativas caíram 17,2%.

A receita líquida em mesmas lojas ficou estável, em -0,7%. O relatório ressalta ganhos de eficiência e disciplina de custos, contrastando com a distorção causada por créditos tributários não recorrentes em 2025.

Fechamento de loja da Paulista

O processo de redução da rede ganhou simbolismo com o fechamento da loja da Avenida Paulista, próximo ao Masp, que servia de vitrine institucional há anos. O ponto histórico permanece marcado pelo longo vínculo com a marca.

A Marisa foi fundada em 1948 por Bernardo Goldfarb. Hoje o controle é compartilhado por fundos de investimento, com participação pulverizada entre herdeiros da família. A rede concentra grande parte das operações em marcas populares.

A varejista, dedicada a vestuário feminino, lingerie e linhas masculinas e infantis, também atua com o Cartão Marisa, responsável por cerca de 26% das transações. Desde 2022, a rede fechou mais de 100 lojas, em meio a ajustes estratégicos.

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