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Banco de Edir Macedo usou fundos para ocultar carteira inadimplente bilionária

Banco Digimais, ligado a Edir Macedo, usou fundos próprios para esconder ao menos R$ 480 milhões em créditos vencidos, segundo documentos

Edir Macedo, controlador do DigiMais (Imagem: Reprodução/Instagram/ Templo de Salomao)
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  • Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, utilizou fundos de investimento próprios para retirar carteiras inadimplentes do balanço, ocultando ao menos R$ 480 milhões em créditos vencidos.
  • Operação foi classificada por peritos como de “alto risco regulatório” e “sinal vermelho forte”, mantendo aparência de rentabilidade mesmo com deterioração financeira.
  • Um dos fundos citados, o Tabor, comprou parcelas de créditos do Digimais; em abril de 2026 tinha R$ 960 milhões em créditos, sendo R$ 575 milhões de inadimplentes.
  • O principal negócio do banco continua o financiamento de veículos, incluindo veículos velhos para clientes já endividados, com juros elevados que elevam o risco de inadimplência.
  • A Polícia Federal investiga o banco por suspeitas de fraude; o Digimais negocia venda ao BTG Pactual, que dependeria de condições precedentes e possível leilão.

O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, utilizou fundos de investimento próprios para retirar carteiras altamente inadimplentes de seus balanços. As operações teriam ocorrido até 2025 e teriam visado melhorar a aparência de rentabilidade, segundo documentos obtidos pelo Estadão e analisados por especialistas.

A prática envolveu a venda de carteiras de crédito problemáticas a Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) dos quais o banco era cotista. Os fundos compradores continuavam ligados ao Digimais, o que, segundo peritos, configuraria operação de “Zé com Zé”.

Essa manobra teria escondido ao menos R$ 480 milhões em créditos vencidos, preservando a imagem de ganhos mesmo com deterioração financeira. Em 2025, o banco declarou lucro de R$ 31 milhões.

Fundos e dívidas ocultas

Entre os fundos citados está o Hermon, adquirido pela holding ligada a Edir Macedo. O Hermon envolve direitos sobre ação judicial relacionada à antiga Vale do Rio Doce. Auditores apontaram que a operação pode não refletir condições usuais de mercado.

Um dos fundos, o Tabor, comprou carteiras de financiamento de veículos do Digimais. Em abril de 2026, o Tabor possuía R$ 960 milhões em créditos, com R$ 575 milhões de inadimplentes e mais de R$ 200 milhões vencidos há até 720 dias.

Segundo o perito contábil Alexandre Ripamonti, esse cenário é considerado crítico. Ele afirmou que, quando um FIDC fica nessa situação, o caminho natural é o encerramento do fundo.

Contexto de atuação e auditoria

O Digimais mantém o foco no financiamento de veículos, incluindo veículos usados e de menor valor, com clients de maior risco de inadimplência e juros elevados. Em dezembro de 2025, chegou a registrar juros de 2,97% ao mês (41,07% ao ano), segundo dados do Banco Central.

A auditoria independente contratada pelo banco identificou transações consideradas suspeitas, como a compra de cotas de fundos ligados à própria instituição. Os auditores destacaram que tais operações “podem não refletir condições usuais de mercado”.

Investigação e negociações

A Polícia Federal investiga o banco por suspeitas de fraude. O Digimais e a Igreja Universal do Reino de Deus não comentaram o caso até a publicação.

O Digimais também negocia uma possível venda ao BTG Pactual. A operação depende de condições precedentes e deve ocorrer por meio de leilão, com apoio financeiro do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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