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OIT alerta sobre impactos do conflito no Oriente Médio no mercado de trabalho

Organização Internacional do Trabalho alerta que alta de petróleo em cinquenta por cento pode reduzir horas de trabalho e eliminar até 14 milhões de empregos em tempo integral em 2026 e 38 milhões em 2027

O porta-aviões USS Gerald R. Ford realiza operações aéreas em apoio ao ataque da Operação Epic Fury contra o Irã, em local não identificado 09/03/2026 (Foto a partir de vídeo de divulgação/via REUTERS)
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  • A OIT alerta que, se o preço do petróleo subir cerca de 50% acima da média do começo do ano, haverá queda nas horas de trabalho globais em 0,5% em 2026 e 1,1% em 2027.
  • Estima-se perdas de 14 milhões de empregos em tempo integral neste ano e de 38 milhões no próximo, acompanhado de recuo nas rendas reais do trabalho.
  • O desemprego global subiria de forma gradual, com alta de 0,1 ponto percentual em 2026 e 0,5 ponto em 2027.
  • Estados árabes e a região Ásia e Pacífico devem sentir mais o choque, por sua integração aos fluxos de energia, rotas comerciais e mão de obra migrante.
  • Trabalhadores migrantes podem absorver parte desproporcional do ajuste, e remessas começam a enfraquecer, impactando consumo e empregos nos países de origem.

O mercado de trabalho global pode sentir o impacto do conflito no Oriente Médio, conforme alerta da OIT. Se os preços do petróleo subirem cerca de 50% acima da média no início de 2026, haverá forte perda de empregos neste ano e no próximo, com efeitos desiguais por região e setor.

A organização aponta que as horas de trabalho globais podem recuar 0,5% em 2026 e 1,1% em 2027. As perdas chegam a 14 milhões de empregos em tempo integral em 2026 e 38 milhões em 2027, caso o choque de preços se confirme. Rendas reais podem recuar 1,1% em 2026 e 3% em 2027.

Ásia e Pacífico: as regiões já sentem o impacto. Com queda no emprego, as horas trabalhadas poderiam cair 0,7% em 2026 e 1,5% em 2027, com renda real recuando até 4,3% em 2027. Cerca de 22% dos trabalhadores estão em setores de alta exposição, como agricultura, transporte, manufatura e construção.

Estados árabes e dependência de energia: estima-se que 40% dos empregos nesses países estejam em setores vulneráveis. Comércio, construção, indústria, agricultura, transporte e serviços de alojamento estão entre os mais expostos aos choques do Golfo e a interrupções logísticas.

Migrantes e remessas também devem seguir os impactos. Nos países do Conselho de Cooperação do Golfo, a OIT indica que cada queda de 1% no emprego entre nacionais pode reduzir o emprego de não nacionais em até 4%. Os fluxos de remessas começam a mostrar sinais de contração, afetando consumo e renda de várias famílias.

A OIT ressalta que a crise no Oriente Médio não é de curto prazo e tende a evoluir lentamente, afetando mercados de trabalho ao longo do tempo. O relatório aponta a necessidade de respostas políticas mais coordenadas, inclusivas e com foco em trabalhadores informais, migrantes, refugiados e pequenos empreendimentos.

Para evitar retrocessos duradouros, a OIT recomenda políticas que protejam empregos e rendas, aliando estabilidade macroeconômica à proteção do trabalho decente. As medidas atuais variam entre países, com intervalos de eficácia e recursos disponíveis.

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