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Prévia do PIB de março cai 0,67% e aponta pressão da Selic

Março registra queda de 0,67% no IBC-Br, com serviços puxando a retração, mas o primeiro trimestre avança 1,3% e revela resiliência econômica

(Foto: Adobe Stock)
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  • O IBC-Br caiu 0,67% em março, mostrando que a restrição monetária está desacelerando a atividade.
  • No primeiro trimestre, a economia avançou 1,3% frente ao trimestre anterior, indicando resiliência.
  • O mês de março teve queda disseminada, com serviços recuando 0,79%, puxando a piora, já que esse setor representa cerca de 70% da atividade.
  • Indústria (-0,2%), agropecuária (-0,2%) e outros componentes também registraram perdas no mês.
  • Projeções para 2026 seguem com crescimento esperado, mas com aperto monetário mais rígido e atentos efeitos da inflação, conforme bancos e especialistas.

O recuo de 0,67% no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em março aponta que a restrição de juros está desacelerando a economia, ainda que haja resiliência no desempenho trimestral. O indicador é visto como prévia do PIB e mostrou alta de 1,3% no primeiro trimestre ante o trimestre anterior.

O resultado de março veio abaixo do esperado pelo mercado, que projetava queda de 0,40%. Economistas destacam que a atividade econômica parece perder fôlego no fim do primeiro trimestre, mesmo com impulso vindo de transferências fiscais e do mercado de trabalho.

Panorama do IBC-Br em março

A queda foi disseminada entre os setores. O agregado ex-agropecuária caiu 0,9% no trimestre, enquanto a agropecuária recuou 0,2% no mês. Indústria e serviços registraram retrações de 0,2% e 0,8% no mês, respectivamente, contribuindo para o recuo agregado.

Leonardo Costa, economista da ASA, aponta que o peso do setor de serviços foi o principal fator da queda de março, com retração de 0,79%, já que esse segmento responde por cerca de 70% da atividade econômica. Outros componentes ajudaram a moldar o resultado.

Análise de curto prazo

Sem considerar o agro, a retração mensal fica em 0,9%, segundo Felipe Tavares, da BGC Liquidez. Na visão dele, o efeito do IBC-Br indica um carregamento negativo de 0,16 ponto percentual para o próximo trimestre.

Rafael Perez, da Suno Research, afirma que março representou uma acomodação após forte início de 2026. Ele cita base de comparação elevada e política monetária mais restritiva como fatores. Ainda assim, serviços receberam suporte pela renda familiar e por estímulos governamentais.

Destaques setoriais

O setor extrativo de petróleo e gás manteve desempenho positivo na indústria, compensando fraquezas em segmentos sensíveis à taxa de juros. Traders acompanham o impacto de juros altos sobre o crédito e o consumo, com atenção voltada para inflação e demanda doméstica.

Perspectivas para 2026

Analistas mantêm viés de crescimento para o ano, mas com aperto monetário mais rígido. Goldman Sachs aponta um carregamento estatístico positivo de 1,15% para o PIB de 2026, enquanto XP projeta 2,0% e Suno, 1,8%. O Daycoval é mais conservador, com 1,7%.

O mercado também revisa as expectativas para a Selic ao fim de 2026: a mediana do relatório Focus subiu para 13,25%, em meio a projeções de inflação mais elevada. O IPCA para 2026 foi estimado em 4,92%, acima do teto da meta.

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