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Tese que sustentou Ibovespa no 1º tri começa a ruir

Ibovespa recua com saída de estrangeiros, fragilizando a tese de cortes na Selic diante de inflação em alta e choques no Golfo Pérsico

Tese que sustentou o Ibovespa no 1º tri começa a ruir. É hora de insistir na bolsa? — Foto: GettyImages
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  • O Ibovespa fechou em 177 mil pontos, com queda de 0,17%; o mês acumula -5,5% e o ano, +9,84%.
  • Do começo de maio até 14 de junho, estrangeiros retiraram R$ 7,2 bilhões da bolsa, sinalizando menor apetite por risco.
  • O dólar à vista caiu 1,37% hoje, a R$ 5,00; no mês sobe 0,93% e no ano acumula queda de 8,94%.
  • Petrobras subiu, ajudando a amenizar perdas; Vale caiu 2% em meio à oscilação do minério de ferro, com o Brent acima de US$ 108.
  • O índice depende cada vez mais de commodities; cenário de inflação em alta e atividade fraca coloca o Banco Central entre cortar juros para estimular ou manter para conter a inflação.

O Ibovespa fechou em queda de 0,17%, aos 177 mil pontos, refletindo cenários de economia mais fraca e inflação em alta. O desempenho segue com o mês negativo, -5,5%, enquanto o ano acumula ganho de 9,84%.

A X mesma lógica global vale para o Brasil: juros baixos não parecem garantidos. A narrativa de cortes da Selic, que atraiu capital estrangeiro, ganha contornos incertos diante da elevação recente de preços do petróleo e da inflação.

O indicador IBC-BR, conhecido como prévia do PIB, mostrou recuo de 0,7% em março frente fevereiro. No mesmo mês, o Boletim Focus revisou a inflação para cima pela décima vez para o ano. Aos poucos, investidores globais revisam o apetite pelo Brasil.

Pressão de fluxos e composição da carteira

De maio até 14 de abril, estrangeiros retiraram R$ 7,2 bilhões líquidos da B3, em operação que envolve ações à vista e derivativos. A liquidez atual não indica apetite por risco, mas fuga dele.

O giro financeiro do Ibovespa ficou próximo de R$ 18 bilhões, alinhado à média dos últimos 12 meses. Em 2026, o cenário externo favorável sustentou o giro, com petróleo, minério e juros reais elevados ajudando a manter o Ibovespa em terreno positivo.

A direção da bolsa passa pela atuação de Petrobras e Vale. Hoje, a Petrobras teve leve alta sustentada pelo Brent acima de US$ 108 e por tensões no Golfo, enquanto a Vale recuou 2% com fricções na demanda por minério na China.

O peso da Vale no Ibovespa, superior a 10%, amplifica quedas quando o minério sofre. Quando Petrobras e Vale se movem em conjunto, o índice reage mais claramente; em dias de queda envolvendo apenas um ativo, o mercado fica mais restrito.

Cenário macro e ambiente monetário

Com petróleo mais caro e juros ainda voláteis, o canal de transmissão dos preços de commodities para as ações fica menos eficiente. O investidor tende a buscar ativos mais líquidos e exportadores de commodities em busca de proteção.

O BC enfrenta o dilema entre cortar juros para estimular a atividade e conter a inflação. Um corte brusco pode desancorar a inflação, enquanto manter a taxa pode manter o crescimento fraco.

O panorama internacional não difere muito: EUA, Europa e China também enfrentam pressões de energia e inflação, elevando o risco de ajustes adicionais de política monetária. A combinação de desaceleração com alta de preços sustenta a incerteza nos mercados.

Em linhas gerais, a narrativa de 2026, que projetava queda de juros e fluxo comprador estrangeiro, passa por revisão diante de pressões energéticas, inflação em ascensão e volatilidade global.

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