- O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a participação elevada de títulos ligados à Selic na dívida pública pode dificultar o controle da inflação pelo BC.
- Ele destacou que hoje cerca de 50% da dívida soberana está vinculada à Selic; no mês de março, a fatia era de 47,7%.
- A taxa Selic está em 14,50% ao ano, e o BC tem mostrado interesse em calibração com cortes graduais, mantendo o ambiente ainda restritivo.
- Galípolo apontou que choques de oferta, como o preço do petróleo e o El Niño, elevam as expectativas de inflação no curto prazo e também para 2028, gerando preocupação com o alinhamento às metas.
- O presidente do BC defendeu maior autonomia financeira do BC, afirmando que a falta de recursos pode levar a cortes e a uma maior pressão política sobre a instituição.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em audiência no Senado que a dependência da dívida pública de títulos atrelados à Selic pode dificultar o trabalho da autoridade monetária para controlar a inflação. O argumento é de que esse vínculo eleva a remuneração dos detentores quando a Selic sobe.
Segundo ele, hoje metade da dívida soberana está ligada à Selic. Em março, esse trecho era de 47,7%. Esse peso específico, conforme explicou, tende a aumentar a renda dos detentores de LFT quando a taxa de juros é elevada.
A taxa Selic está em 14,50% ao ano. O BC vem calibrando cortes graduais com a promessa de encerrar o ciclo ainda em nível restritivo. Galípolo destacou que a economia apresenta resiliência, com desemprego baixo e renda real dos trabalhadores avançando acima da inflação.
Choques de oferta e projeções de inflação
O presidente do BC citou choques de oferta como fatores que influenciam a inflação de curto prazo, em especial o petróleo e o El Niño. Ele apontou que as projeções para 2028 também estão subindo, o que não deveria ocorrer apenas por esses choques.
Dados do Focus mostram inflação prevista de 4,92% para 2026 e 4,00% para 2027, acima das leituras anteriores. Para 2028, a mediana subiu para 3,65%, diante de 3,50% antes da guerra no Oriente Médio.
A meta de inflação do BC é 3%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. A autoridade também discutiu a possibilidade de usar um núcleo de inflação como referência, além do índice cheio IPCA, para o alvo.
Autonomia do BC e recursos da instituição
Galípolo afirmou que o Congresso deve aprovar a autonomia financeira do BC. Ele lembrou que, nos últimos 10 anos, o BC perdeu aproximadamente 1.300 servidores, enquanto houve aumento no número de instituições financeiras supervisionadas. Com menos recursos, o BC precisaria priorizar o que cobre com seu “cobertor curto” e reduzirá o alcance de sua fiscalização.
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