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Galípolo afirma que BC agiu rápido no caso Master e cobra reforço estrutural

Galípolo diz ter agido rápido no caso Master, mas aponta limitações estruturais, tecnológicas e de pessoal para a supervisão do sistema financeiro

Mesa: presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo - em pronunciamento.
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  • O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a atuação no caso Banco Master foi rápida e destacou limitações estruturais, tecnológicas e de pessoal para supervisionar o sistema financeiro.
  • Senadores cobraram mais transparência, com Renan Calheiros alertando sobre brechas legais e pedindo compartilhamento de informações entre BC, STF, PF, Ministério Público e CGU.
  • Galípolo ressaltou que o problema não foi apenas a oferta de CDBs a 40% do CDI, mas o uso do dinheiro captado, evitando descompasso entre passivo e ativo e ações fora do perfil de varejo.
  • Foram citados avanços regulatórios para ampliar segurança, como aprimoramentos na Contribuição Adicional, maior alocação em títulos públicos e reforços ao Fundo Garantidor de Crédito; dois ex-diretores do BC foram afastados.
  • O BC também afirmou enfrentar limitações de pessoal e tecnologia, com cerca de 1,2 mil servidores perdidos nos últimos dez anos, defendendo investimentos em tecnologia e governança colegiada para aprimorar a fiscalização.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta terça-feira (19) a atuação rápida do BC no caso envolvendo o Banco Master. Ele afirmou que o BC enfrenta limitações estruturais, tecnológicas e de pessoal para supervisionar o sistema financeiro, e que a auditoria deve seguir sem atrasos. Também apontou que a prioridade é entender o uso dos recursos captados.

Durante a audiência na Comissão de Assuntos Econômicos, Galípolo destacou que o cerne do problema não foi apenas a oferta de CDBs a 40% do CDI, mas o destino do dinheiro captado. O BC trabalha para evitar descasamentos entre passivo e ativo e evitar aplicações indevidas com recursos de varejo.

Estrutura e atuação do BC

Renan Calheiros (MDB-AL) cobrou maior transparência nas investigações e pediu cooperação entre o BC, STF, PF, Ministério Público Federal e CGU. Segundo ele, o caso expõe brechas legais e a necessidade de atualização da legislação sobre crimes financeiros. O senador afirmou que a CAE acompanha os desdobramentos.

Galípolo citou medidas do BC para reforçar a segurança financeira, como regras de Contribuição Adicional, maior alocação em títulos públicos e salvaguardas do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ele ressaltou que a governança interna permite autonomia para fiscalizar agendas setoriais.

Investigações e lideranças

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) observou que houve falhas graves na atuação do FGC e na fiscalização. Braga informou que dois ex-diretores do BC foram afastados envolvendo o caso Master e que as apurações seguem com a CGU e a Polícia Federal.

O ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana teriam sido afastados por decisão do STF, após investigação de consultoria informal a Vorcaro. O BC afirma que as ações ocorreram dentro do rito institucional vigente.

Liquidação e responsabilidade

Renan Calheiros questionou a autorização para Augusto Lima assumir instituições como o Banco Voiter, depois rebatizado como Banco Pleno. Galípolo disse que o BC deve separar a preservação institucional da responsabilização de gestores, enfatizando que liquidações não são punição aos controladores.

O BC aponta que, desde 2025, já liquidou 13 instituições financeiras. Galípolo afirmou que a investigação das pessoas segue separadamente do processo de liquidação, e que o acordo de leniência com o Santander teve governança prevista no regimento interno.

Legislação, pessoal e tecnologia

A audiência tratou das limitações do BC em termos normativos, tecnológicos e de pessoal. Galípolo lembrou que o BC perdeu cerca de 1,2 mil servidores nos últimos dez anos e deve enfrentar novas aposentadorias em 2026. O dirigente defendeu mais investimentos em tecnologia e IA para fiscalização.

Ele citou o risco de tornar a fiscalização menos abrangente sem reforço de pessoal e recursos, apontando a necessidade de decisões colegiadas para reduzir vulnerabilidades. A governança interna foi apresentada como forma de reduzir riscos.

Mercado de carbono e política monetária

Renan Calheiros mencionou mensagens interceptadas sugerindo favorecimentos ligados a um empréstimo de R$ 140 milhões à cunhada do atual presidente da Câmara, em contexto de emenda ao mercado de carbono. A denúncia envolve suposta relação com a atuação do Banco Master.

No plano de política monetária, Galípolo reconheceu que o BC tem mantido juros altos por impactos da inflação. Ele lembrou que o BC cumpriu a meta inflacionária apenas em dois dos últimos seis anos, atribuídos a choques globais de oferta, como pandemia, guerra e tensões comerciais.

Dívida pública e transmissão monetária

Sobre a dívida, Galípolo afirmou que aproximadamente metade está atrelada à Selic, o que amplifica o efeito fiscal das decisões do BC sobre juros. O presidente destacou que o Brasil tem juros reais elevados, porém inflação permanece acima da meta, sinalizando distorções nos canais entre política monetária e fiscal.

O dirigente apontou que reformas estruturais são necessárias para tornar a política monetária mais eficiente, permitindo equilíbrio entre juros, inflação e crescimento. O BC mantém o compromisso com o pagamento da dívida pública para evitar fuga de investimentos.

Contas-bolsoes e fiscalização

Entre as medidas para aumentar a segurança, o BC informou sobre restrições ao uso de contas-bolão, usadas para ocultar operações financeiras. A regulamentação do modelo banking as a service determina que titulares sejam identificáveis e que movimentações ocorram apenas pelos clientes finais, fortalecendo a transparência.

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