- O iFood moveu ação contra a Keeta e a Meituan, acusando concorrência desleal e espionagem empresarial.
- Segundo a petição, 240 funcionários foram abordados por mais de 30 consultorias em um ano para conversas remuneradas sobre os negócios do iFood.
- As consultorias teriam dito tratar-se de pesquisas de mercado, mas o iFood afirma que o objetivo real era a coleta de dados confidenciais, como rentabilidade, participação de mercado e estratégias.
- A ação aponta que houve ao menos cinco reuniões remuneradas entre abril e junho de 2025, com participação de um ex-funcionário da empresa, e que registros da Zoom indicam encontros com e-mails @meituan.com.
- A Keeta nega as acusações e diz operar em conformidade com a legislação, enquanto o iFood busca R$ 1 milhão em danos morais e uma ordem para interromper abordagens a funcionários.
O iFood moveu uma ação contra a Keeta e sua controladora Meituan, no que a empresa acusa de concorrência desleal e espionagem empresarial. A petição, assinada pelo escritório E.Munhoz, sustenta que 240 funcionários foram abordados por mais de 30 consultorias em um ano, com a justificativa de pesquisas de mercado, mas o objetivo real seria coletar dados confidenciais sobre rentabilidade, participação de mercado e planos estratégicos.
Segundo a ação, a ofensiva coincidiu com a preparação da entrada da Keeta no Brasil. Um ex-funcionário, Matheus Santana, teria participado de reuniões remuneradas e compartilhado informações estratégicas. Em investigação criminal, Santana diz ter conversado por Zoom e, em mensagens, haveria referência a valores de cerca de 5 mil reais por participação. A Justiça americana teria fornecido registros da plataforma.
A peça cita ao menos cinco encontros entre abril e junho de 2025, com participantes com e-mails @meituan.com. O iFood afirma que isso transforma a acusação de pesquisa de mercado em uma prática de concorrência desleal estruturada. A Keeta nega as acusações, afirmando defender um mercado aberto, cumprir a LGPD e ter políticas rígidas de uso de dados.
Contexto e desdobramentos
A Keeta também destacou uma investigação em Santos sobre denúncias de espionagem após o lançamento da plataforma na cidade, ressaltando o histórico de ataques contra a empresa. Em resposta, a companhia garantiu que não aborda indivíduos para fins descritos, atuando em conformidade com a legislação.
O processo aponta para o uso do chamado corporate access, comum no mercado financeiro, e que envolve contatos entre executivos de empresas e investidores. O iFood sustenta que o modelo foi usado de forma inadequada para obter dados sensíveis de operações.
Repercussões e posicionamentos
Além do litígio entre iFood e Keeta/Meituan, o caso inclui menção a casos semelhantes no setor. André Chaves, country head do Mercado Pago no Brasil, relatou no LinkedIn que recebe pedidos de informações confidenciais em troca de pagamento, com mensagens de consultorias oferecendo entrevistas com especialistas em e-commerce na América Latina. Ele relatou valores por hora de entrevista.
O Mercado Livre e o Mercado Pago apontaram que, após o recebimento de mensagens, notificaram extrajudicialmente as consultorias. Em nota, a equipe afirmou que não houve entrevistas conduzidas por funcionários das empresas, mas não detalhou relatos de contatos específicos.
Na ação movida pelo iFood, a empresa solicita R$ 1 milhão em danos morais e uma ordem judicial para impedir que as rés abordem direta ou indiretamente funcionários e ex-funcionários do iFood. A defesa das empresas envolve alegações de conformidade normativa e de atuação ética no mercado.
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