- Ordens católicas espanholas estão tornando a gestão de seus recursos mais profissional, buscando investir de forma ética e alinhada à fé, diante da queda de doações e vocações.
- Muitas congregações, com patrimônios que incluem imóveis e instituições, passam a contar com fundos de investimento e consultorias para maximizar ativos, mantendo compliance civil e canônico.
- Casos práticos incluem a venda do Hospital La Milagrosa para o Grupo Vithas, com investimento de trinta milhões de euros em reformas pelo novo grupo.
- Existem diretrizes de fé para investimentos católicos, com minimização de setores como armas e anticoncepção e foco em direitos humanos, sustentabilidade e impacto social; há fundos específicos que seguem a doutrina da Igreja.
- Hoje existem aproximadamente doze fundos com princípios católicos na Espanha, gerenciando recursos que somam cerca de seiscentos e cinquenta milhões de euros, com índices criados pelo Banco Vaticano em parceria com Morningstar.
O seminário de um dia reuniu religiosos católicos de várias partes da Espanha com assessores financeiros, perto do parque do Oeste, em Madrid. O encontro, organizado pela entidade religiosa nacional e pela gestora Ibergestión, abordou finanças e ética sem deixar de lado o contexto geopolítico atual.
Monjas, padres e analistas discutiram impactos da política externa, IA, democracia e limites éticos do avanço tecnológico. O objetivo foi entender como esses temas influenciam as decisões de investimento das ordens.
Essa movimentação mostra a busca por profissionalização financeira entre as congregações espanholas. Com menos doações e vocações, o envelhecimento das comunidades e o custo de manter imóveis, cresce a necessidade de gerir ativos com mais rigor.
Transformação de ativos e gestão profissional
Dióceses médias, como a de Mallorca, já enfrentam mudanças. Substituíram máquinas de escrever por processos contábeis modernos e acompanharam de perto mercados para melhorar investimentos.
Conversei com gestores que destacam o desafio de alinhar patrimônios como escolas, imóveis e hospitais aos valores da fé. Grandes grupos bancários passam a oferecer fundos com critérios éticos para as congregações.
A instituição jurídica e a fé orientam decisões, especialmente em temas de responsabilidade trabalhista e segurança. Programas de pós-graduação ajudam tesouros diocesanos a administrar bens com maior rigor.
Princípios e práticas de investimento
Especialistas observam que, ao chegar a uma congregação, muitas carteiras aparecem desorganizadas e com visão de curto prazo impraticável. A relação com bancos costuma priorizar custos e comissões, influenciando escolhas.
Existem fundos de investimentos que seguem a doutrina social da Igreja, avaliando impactos humanos e sustentabilidade. Hoje, cerca de 12 opções desse tipo atuam na Espanha, somando centenas de milhões em ativos.
As diretrizes do Vaticano seguem critérios de fé para evitar áreas como armamentos e anticoncepção, promovendo negócios alinhados a direitos humanos e impacto social. O ESG entra como referência, com nuances próprias da doutrina.
Desafios práticos da gestão
María Canel enfatiza que decisões envolvendo patrimônio escolar ou hospitalar requerem consenso entre alta direção e comunidades presentes em vários países. A equidade entre entidades é um fio condutor para evitar desequilíbrios.
Relatores mencionam casos onde fundos passaram por auditorias rigorosas para evitar práticas incompatíveis com a fé. O objetivo é manter transparência e aderência aos princípios éticos estabelecidos.
O processo de modernização avança mesmo diante da tradição. Livros de contabilidade de século XIX revelam como a gestão evoluiu, mas também mostram a complexidade crescente das finanças e da governança nas ordens religiosas.
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