Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Investidores e plataformas podem cobrir parte das perdas do FGC em quebra

BC avalia novas regras do FGC que podem exigir participação de investidores e plataformas nas perdas em caso de quebra, após o caso Master

Banco Central já adotou mudanças que inibem modelos de negócio majoritariamente apoiados na garantia do FGC — Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
0:00
Carregando...
0:00
  • O Banco Central discute nova rodada de mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) visando investidores e plataformas, após o caso Master, com decisões previstas para o segundo semestre.
  • O episódio Master envolveu emissão de certificados de depósito bancário (CDBs) com juros acima da média, distribuídos por plataformas, protegidos pelo FGC; o rombo estimado foi próximo de cinquenta bilhões de reais.
  • Entre as propostas estudadas estão uma “franquia” de ressarcimento pelos investidores (com taxas entre 2% e 3% segundo a ABBC, ou cerca de 20% segundo a Febraban) ou um limite de cem por cento do CDI para o ressarcimento.
  • Também há ideias para as plataformas, como coinvestimento com o cliente ou retenção de comissões por prazo para facilitar o ressarcimento em caso de quebra de emissor, com debates sobre impacto financeiro.
  • As discussões recentes buscam ampliar a transparência e reduzir concentração de captação, mantendo o foco em não prejudicar instituições menores, enquanto o BC monitora o equilíbrio entre proteção ao investidor e viabilidade do mercado.

O Banco Central (BC) avalia uma nova rodada de mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A resposta vem após o caso Master, que expôs fragilidades na proteção de depósitos. As alterações devem atingir investidores e plataformas, com previsão para o segundo semestre, conforme agenda regulatória.

Após ajustar exigências para bancos emissores, o BC discute ampliar o foco para o ecossistema de investimento. Fontes próximas às tratativas dizem que a repercussão do episódio aumenta a necessidade de uma resposta mais abrangente, mantendo o objetivo de evitar abusos no uso do FGC.

O episódio envolve o banco de Daniel Vorcaro, hoje em liquidação extrajudicial, que lançou certificados de depósito bancário (CDBs) com juros elevados. Esses títulos, distribuídos por plataformas de investimento, usaram a proteção do FGC de até 250 mil por CPF. O rombo estimado do fundo ficou próximo de 50 bilhões de reais.

Propostas em discussão para investidores

Representantes dos bancos, liderados por Febraban e ABBC, reuniram-se com outras entidades do setor para avançar no tema. O encontro, apurado pelo Valor, contou pela primeira vez com associações de fintechs e adquirentes, como Zetta, Acrefi, Abipag e Abranet.

Uma das possibilidades discutidas é a criação de uma franquia para ressarcimento pelo FGC. O investidor pagaria uma taxa para o seguro de recuperação em caso de quebra da instituição. Propostas variam entre 2% a 3% na visão da ABBC, ou até 20% conforme o comando da Febraban.

Outra opção seria limitar o ressarcimento a 100% do CDI, mesmo para CDBs com taxas mais altas. Fontes destacam que a faixa de duração média dos CDBs tende a ficar próxima de dois anos, o que influencia impactos com cenários de Selic ao redor de 10% ao ano.

Do lado das plataformas, surgem duas possibilidades: coinvestimento com o cliente ou retenção de comissões para uso em ressarcimento. Corretoras contestam o custo adicional, que poderia recair sobre o sistema como um todo, dificultando a oferta desses produtos.

Propostas para plataformas e cenários de regulação

A ideia de coinvestimento é vista com ceticismo por parte de corretoras, que apontam riscos de assimetria de custos e inviabilização de produtos. A outra alternativa, de diferir receitas de comissões ao longo do contrato, tem apoio de alguns setores e é comparável ao modelo dos correspondentes bancários.

Boa parte do setor acompanha a possibilidade de arbitragem regulatória pelo BC, diante da dificuldade de acordo entre plataformas e instituições. Ainda segundo fontes, sinais de maior transparência, como sinalização de auditoria sobre venda de CDBs de emissores com problemas, já aparecem como consenso parcial.

Contexto regulatório e próximos passos

As mudanças do BC ocorrem após o aperto aplicado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ao FGC, em resposta ao Master. A norma endureceu ativos e passivos, buscando evitar modelos de negócio fortemente dependentes do fundo. O BC ressaltou que o problema do Master está no uso do dinheiro captado, não apenas no passivo.

O objetivo é evitar que captações de varejo com garantia do FGC financiem ativos inadequados. A ideia é manter a proteção ao investidor sem prejudicar a captação de instituições menores. Procuradas, BC, Febraban e ABBC não se manifestaram.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais