- Itaúsa passou a valorizar mais que Itaú, reduzindo o desconto do investimento de quase 25% em 2025 para cerca de 19,6% no fim de 2025.
- A reforma tributária que entra em vigor em janeiro de 2027 elimina PIS e Cofins sobre Juros sobre Capital Próprio, o que pode gerar cerca de R$ 800 milhões a mais por ano para a holding.
- Além do banco, Itaúsa detém participação em Dexco, Alpargatas, Motiva, Aegea e Copa Energia, com potencial de valorização se o ciclo de juros favorecer a economia.
- Analistas convergem que a Itaúsa pode manter vantagem de dividendos em relação ao Itaú, com projeção de yield próximo de 9% ante cerca de 8% do banco.
- O IPO da Aegea tem potencial destravar valor, mas não deve ocorrer em 2026, mantendo foco da gestão em distribuição de proventos e eficiência tributária.
Itaúsa (ITSA4) avançou sobre Itaú Unibanco (ITUB4) na avaliação do mercado, após décadas de desconto frente ao banco. A holding passou a ser vista como capaz de entregar dividendos competitivos, com menor deságio em relação ao Itaú desde o fim de 2024.
Segundo dados da própria Itaúsa, o desconto em relação ao Itaú caiu para cerca de 19,6%, ante quase 25% em 2025. Analistas destacam que esse recuo pode sinalizar o início de uma valorização relativa da holding, mantendo a aposta em dividendos acima do banco.
A reforma tributária ampliou esse cenário favorável para holdings. A partir de 2027 não haverá incidência de PIS e Cofins sobre Juros sobre Capital Próprio, o que reduz custos para a Itaúsa e eleva potenciais margens de distribuição de proventos.
Perspectivas de dividendos e portfólio
A Itaúsa mantém o foco em investir além do Itaú, com participações em Dexco, Alpargatas, Motiva, Aegea e Copa Energia, entre outras. Essas empresas, mais sensíveis ao ciclo econômico, podem se valorizar com a queda de juros e recuperação econômica.
Para o mercado, a expectativa é de que a Itaúsa distribua dividendos em nível próximo ao Itaú, com projeções de yield de até 9% para a holding, versus cerca de 8% para o banco. A análise aponta que, no cenário atual, o valor da Itaúsa depende menos de resultados apenas bancários e mais do desempenho agregado das holdings.
Impactos de fluxo de caixa e avaliações
A redução do custo tributário a partir de 2027 deve manter um fluxo de caixa mais estável para a Itaúsa, fortalecendo a visão de valor relativo frente ao Itaú. O ganho anual estimado com a eliminação de parte da tributação sobre JCP gira em torno de 800 milhões de reais, segundo analistas.
No curto prazo, a comparação entre as duas ações continua pertinente para investidores que buscam exposição ao setor financeiro com diversificação. O desafio é avaliar se o deságio já precifica plenamente as vantagens da Itaúsa ou se há espaço para reversão adicional.
Movimentos de mercado e cenário externo
Nos últimos meses, a volatilidade global impactou os ativos brasileiros, com movimentos de saída de investidores estrangeiros que afastaram certos ganhos. A volatilidade local afetou tanto Itaúsa quanto Itaú, mesmo com perspectivas de recuperação na distância entre os papéis.
Especialistas indicam que, para investidores pessoa física, a diferença de performance entre Itaúsa e Itaú pode ser relativamente pequena, recomendando equilíbrio entre as posições. A tese central continua sendo manter as duas ações na carteira como forma de diversificação.
Observações sobre o IPO da Aegea
A Aegea tem sinalizado interesse em abrir capital no curto prazo, mas fontes indicam que o cronograma para 2026 não é prioridade de Itaúsa. A possível disponibilização de ações da Aegea pode destravar valor, embora a expectativa tenha perdido força para este ano.
A gestão da Itaúsa defende que manter o portfólio com peso relevante em dividendos, aliado à gestão eficiente do capital, continua sendo o eixo estratégico. O cenário técnico aponta para continuidade de sensibilidade a ciclos de juros e a performance do Itaú dentro do conjunto.
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