- Na Provence, a produção de vinho branco ganha espaço mesmo em uma região tradicionalmente dominada pelo rosé, com consumo de rosé em queda e demanda por branco em ascensão.
- Entre 2019 e 2025, o vinho branco na Provence teria crescido 39%, segundo Brice Eymard, do Conselho Interprofissional dos Vinhos de Provence (CIVP).
- Em Côteaux de Provence, o branco já supera o vermelho desde 2022, com produção de brancos aumentando e uso de espirais de uva como rolle (vermentino) em destaque.
- Cassis destaca-se pela predominância de brancos (85% das vinhas) e marsanne na região, preservando tradição, embora o crescimento ainda seja discreto fora do local.
- Em Bandol, produtores passaram a investir em brancos com ugni branco e clairette, buscando valorizar o vinho branco diante da demanda crescente e da pressão sobre o rosé. O preço médio de branco fica em torno de 4,60 euros por garrafa, frente a rodízio de rosé a cerca de 3 euros.
Desde 2019, a Provence vê cresce a demanda por vinho branco, ainda que a região seja tradicionalmente associada ao rosé. Em Beausset, cidade de cerca de 10 mil habitantes, ocorre há cinco anos uma festa dedicada exclusivamente aos vinhos brancos, com vinicultores locais reunidos milhares de visitantes aos domingos de abril.
O fenômeno ganhou fôlego conforme o consumo de rosé diminui e o interesse por vinhos mais frescos, com menos álcool, aumenta. Segundo Brice Eymard, do CIVP, o branco avançou 39% entre 2019 e 2025, impulsionado pela busca por estilos mais leves.
Marc Monrose, diretor do Château Saint-Maur, confirma a desaceleração do rosé e aponta a estratégia do produtor: elevar o patamar de suas cuvées e investir no branco, que ganha espaço com vinhos modernos, elegantes e risos em altitude.
Protagonismo do branco na aposta regional
Na Côte de Provence, o rolle (vermentino) é a variedade dominante entre os brancos, expressando terroirs variados. Eric Pastorino, presidente do CIVP, afirma que o branco se posiciona como o “companheiro natural” dos rosés, com potencial de crescimento internacional a médio prazo.
O movimento também se reflete em Cassis, onde 85% das 200 hectares são brancos, com marsanne em destaque. Jean-Louis Genovesi, produtor local, sustenta que o setor familiar privilegia a qualidade sobre volumes, buscando ampliar o reconhecimento além do verão no porto.
Mudanças em vinhedos e estratégias locais
Bandol, tradicionalmente associada aos tintos de guarda, passou a cultivar ugní blanc e clairette, ampliando a oferta branca da região. Vinicultores relatam notar demanda crescente entre visitantes de caves e profissionais do setor, o que estimula investimentos.
Para o Castellet, no Var, o proprietário decidiu cultivar ugní blanc e clairette, gerando um branco de origem a partir de uvas vermelhas sem fermentação pelicular. A aposta busca diversificar oferta e responder à demanda em evolução.
Perspectivas de mercado e posicionamento
O branco provençal é visto como opção de maior valor agregado em relação ao rosé, cujas tarifas se mantêm próximas de 3 euros em média, enquanto o branco encontra preço médio de venda de 4,60 euros por garrafa de 75 cl. A valorização sugere maior margem para produtores.
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