- A produção de sal no sudeste de Bangladesh sofre com variabilidade climática, incluindo chuva fora de época, neblina e ondas de frio que afetam colheitas em Cox’s Bazar e distritos vizinhos.
- Nasir Uddin, morador de Kutubdia, viu aproximadamente 18 maunds de sal serem perdidos após chuva forte durante a noite, pouco antes da colheita em sua lavra de 0,5 hectares.
- Mais de quarenta mil produtores, em mais de 27 mil hectares, são afetados pela sazonalidade irregular, com a produção comprometida pela nebulosidade, frio e chuvas atípicas.
- A temporada de sal reduziu de sete meses para cerca de cinco a seis meses, com dias de produção perdidos e necessidade de reiniciar o processo de evaporação após cada chuva.
- A meta de produção para a temporada atual é de 2,81 milhões de toneladas métricas, frente à demanda doméstica de cerca de 2,73 milhões; há expectativa de importação para atender o mercado devido aos danos climáticos.
O sal na costa de Bangladesh amarga os impactos das mudanças climáticas. A chuva intensa de uma noite derrubou parte de uma plantação de sal em Kutubdia, Cox’s Bazar, levando à perda de sal já no dia anterior à colheita prevista. A vítima é Nasir Uddin, agricultor de 55 anos, que trabalha um campo de 0,5 hectare.
O episódio aconteceu no sudeste do país, onde milhares de produtores dependem da produção sazonal de sal. A chuva de 15 de abril interrompe a fase de pico de produção, deixando o agricultor e vizinhos com danos em suas lavouras. Nasir está há quase três décadas no cultivo de sal.
O território salgado do país envolve mais de 27 mil hectares em subdistritos de Cox’s Bazar e Chittagong, com cerca de 40 mil produtores diretos. Contudo, mudanças climáticas associadas a chuvas irregulares e ondas de frio estão redimensionando o setor.
Climatic variability emerges as a growing threat
Relatórios apontam aumento nos dias de chuva durante a temporada de sal, com dados de 2021 a 2024 evidenciando elevação de dias chuvosos. O Centro de Pessoas e Meio Ambiente (CPE) — braço de pesquisa com sede em Dhaka — confirma instabilidade maior entre chuva sazonal e temperaturas.
Especialistas destacam que o frio intenso e a névoa atrasam a evaporação, reduzindo a área útil para a cristalização. Quando chove durante a fase final, a salmaria precisa ser reiniciada, gastando de três a cinco dias para reponibilizar as áreas. Um único aguaceiro pode comprometer uma semana de trabalho.
O impacto econômico é significativo: o deslocamento entre dezembro e maio costumava ser estável, mas hoje o setor enfrenta interrupções mais frequentes. Entre 2023 e 2024, interrupções por chuvas ocorridas em novembro e dezembro atrasaram o início e o fim da safra.
Perspectivas e respostas dos produtores
A produção de sal segue um processo de várias etapas, com leitos preparados e água salgada direcionada por uma sequência de tanques. As perdas recentes elevam o endividamento de famílias que dependem do sal para a renda. Alguns produtores passam a adotar coberturas e reparos mais rápidos para reduzir danos.
Segundo representantes da associação local, a temporada de sal tem sido encurtada, o que pressiona a produção total. Mesmo com preços de mercado, o peso das perdas alimenta dívidas entre os produtores, como é o caso de Nasir Uddin, que acumula dívidas e pondera abandonar o cultivo.
A unidade de sal da BSCIC (Corporation de Sal) admitiu menor previsibilidade da temporada diante do clima extremo. Autoridades ressaltam que, para suprir a demanda interna, pode haver necessidade de importação caso a sazonalidade não se normalize.
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