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Brasil pode se beneficiar com fim da restrição de etanol na gasolina dos EUA

E15 permanente nos EUA pode reduzir o excedente de etanol e abrir espaço para o Brasil ampliar sua fatia nas exportações globais

Usina de etanol ao lado de um milharal em Windsor, Colorado - 07/07/2006 (Foto: REUTERS/Arquivo)
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  • A proposta de liberar o uso de gasolina com 15% de etanol (E15) durante o ano inteiro foi aprovada pela Câmara dos Representantes e segue para apreciação no Senado, com possibilidade de sancionamento pelo presidente, tornando a mistura permanente se aprovada.
  • O estudo da StoneX aponta que a liberação pode reduzir o excedente de etanol para exportação dos EUA, abrindo espaço para ampliar a participação do Brasil no comércio internacional do combustível.
  • Em 2024, os Estados Unidos produziram 16,2 bilhões de galões de etanol, cerca de 52% da oferta global estimada em 31,3 bilhões de galões, sendo que quase todo o volume é produzido com milho e consumido internamente.
  • Com o aumento do E15, a demanda doméstica pode reduzir o excedente e impactar negativamente as exportações americanas a partir de 2026, potencializando a posição de países compradores, como União Europeia e Índia.
  • O Brasil, hoje com cerca de 2% das importações de etanol americano, pode ampliar significativamente a fatia de mercado, especialmente se o E15 for adotado de forma permanente e com ajustes logísticos e de preço favoráveis.

Uma mudança na legislação dos Estados Unidos pode redesenhar o mercado global de etanol. Um relatório da StoneX aponta que a liberação do E15 durante o ano inteiro pode reduzir o excedente exportável dos EUA, abrindo espaço para o Brasil ampliar sua participação nas vendas internacionais de etanol. O projeto de lei já passou pela Câmara e aguarda apreciação do Senado.

O texto prevê liberar a venda de gasolina com 15% de etanol de forma permanente, eliminando a exceção sazonal que hoje vigora devido a questões ambientais relacionadas ao smog. Caso seja aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Donald Trump, o E15 deixará de ter restrições sazonais.

Segundo o estudo, a conjuntura atual inclui tensões no Oriente Médio que elevam os preços do petróleo e milho americano depreciado após duas safras recordes. A mais alta nos preços de combustíveis fósseis torna o etanol relativamente mais competitivo e os produtores de milho buscam reduzir o excedente interno.

Em 2024, os EUA produziram 16,2 bilhões de galões de etanol, o que corresponde a 52% da oferta global estimada em 31,3 bilhões de galões. Cerca de 98% do etanol americano vem de milho, com ~90% consumido internamente.

Expansão do papel brasileiro

A StoneX aponta que a redução do excedente exportador dos EUA pode favorecer o Brasil, que hoje detém cerca de 2% das importações de etanol americano. A mudança regulatória pode aumentar essa participação em cenários de demanda global em alta e novos mandatos de mistura em outros países.

A estimativa da National Corn Growers Association indica que cada ponto percentual adicional de mistura nos EUA geraria 1,36 bilhão de galões de etanol e 13,2 milhões de toneladas de milho. Em 2026, o efeito ainda parcial poderia reduzir exportações americanas em 16,6% frente a 2025; em 2027, com efeito pleno do E15, a retração chegaria a 76,7%.

Perspectivas de preço e destinos

A StoneX afirma que o recuo da oferta nos EUA tende a pressionar os preços globais de etanol a partir do fim de 2026 e durante 2027. Para o Brasil, maior produtor de etanol de cana, o cenário pode elevar a remuneração das exportações e incentivar investimentos em expansão de capacidade e logística.

Destinos como União Europeia e Índia aparecem como mercados potenciais para o redirecionamento do etanol americano. A relação entre oferta global, demanda e novas políticas de mistura deve moldar o fluxo de exportações nos próximos anos.

Desafios e dúvidas

A possibilidade de adoção plena do E15 não é automática. Mesmo com aprovação, a efetividade dependerá da expansão de infraestrutura de revendas, do engajamento de distribuidores e da manutenção de preço competitivo entre E15 e E10. O setor de refino também resiste a mudanças.

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