- 25% dos diretores e C-Levels brasileiros admitem que deixaram de delegar tarefas nos últimos 30 dias, alegando que fariam mais rápido com IA.
- Pesquisa com 4,3 mil profissionais aponta baixa maturidade em IA, com líderes usando a tecnologia principalmente para produtividade pessoal, não para redesenhar fluxos de trabalho.
- O estudo diz que o CEO precisa usar IA para transformar o modelo de trabalho, senão a ferramenta será vista apenas como “júnior” que executa demandas da equipe.
- Na média gerência, 69% admitem usar IA em tarefas que poderiam ser delegadas; 49,6% dizem usar “às vezes” e 19,4% “frequentemente”; 6,7% atuam de forma mais avançada.
- Plataformas mais utilizadas são ChatGPT (97,4%), Google Gemini (81,5%) e Microsoft Copilot (52,7%); apenas 0,1% dos usuários atingem o nível “superoperador” na aplicação da IA.
Executivo C-Level está deixando a delegação de lado com o uso de IA, segundo estudo. A pesquisa, com 4,3 mil profissionais, aponta que 25% de diretores e cargos C-Level disseram ter parado de delegar tarefas nos últimos 30 dias, alegando que fariam tudo mais rápido sozinhos com IA. O levantamento é da Afferolab, em parceria com a Tera.
Os resultados indicam que a IA tem sido usada principalmente para ganho de produtividade pessoal, não para redesenhar fluxos ou disseminar o uso. Ao contrário, há centralização das tarefas sob a própria ferramenta, o que, segundo especialistas, não ajuda o desafio de liderança nesses cargos.
Entre as principais funções da IA, 87,5% utilizam para geração de textos, 67,1% para análise de dados e 63,4% para apoio a decisões estratégicas. Também há 57,5% que recorrem à IA para geração de imagens, enquanto apenas 37,8% usam para automatizar tarefas repetitivas.
A pesquisa também revela gargalos entre a média gerência. Aproximadamente 69% dizem usar IA em tarefas que poderiam ser delegadas, com 49,6% afirmando usar ocasionalmente e 19,4% frequentemente. Apenas 6,7% atuam de forma mais avançada, ao delegar e educar a equipe.
Para Alessandra Lotufo, sócia da Afferolab, o uso atual da IA é um estágio inicial, refletindo baixa maturidade no Brasil. Ela afirma que o papel do líder não é apenas aumentar a própria produtividade, mas transformar modelos de trabalho. Caso contrário, a IA pode ser encarada como uma extensão de tarefas do próprio líder.
No recorte de uso por hierarquia, a média gerência tende a adotar a IA de modo pessoal, sem promover a integração aos fluxos operacionais da empresa. A pesquisadora destaca que o maior benefício seria arquitetar fluxos, auxiliar nas decisões e coordenar sistemas, o que ainda não ocorre de forma ampla.
O estudo aponta uma pequena adesão à automação de processos, com 0,1% dos 73,9% que já utilizam IA atingindo o nível de superoperador. Hoje, o mercado brasileiro se apoia em poucas plataformas dominantes: 97,4% usam ChatGPT, 81,5% Google Gemini e 52,7% Microsoft Copilot.
Para ampliar o impacto, o relatório recomenda treinamentos em diferentes níveis hierárquicos. A transformação de modelos organizacionais é descrita como lenta, exigindo tempo e planejamento para que a IA seja integrada de forma mais ampla aos fluxos de trabalho.
A pesquisa ressalta ainda que a próxima fase da IA deve incluir pipelines de trabalho mais integrados. O objetivo é que a liderança utilize a IA para orientar decisões, colaborar com equipes e estruturar processos, em vez de delegar menos e depender apenas da produtividade individual.
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